O Profeta:


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Original: Un Prophète
País: França/Itália
Direção: Jacques Audiard
Elenco: Tahar Rahim, Niels Arestrup e Adel Bencherif.
Duração: 155 min.
Estréia: 18/06/2010
Ano: 2009


Comercial sim, burro não.


Autor: Leandro Caraça

O número de prêmios ganho por O Profeta pode sugerir um excepcional filme. Não chega a tanto assim. É um trabalho digno, de um cineasta que ocupa um lugar de razoável destaque no cinema francês contemporâneo, graças à qualidade de obras como "Sobre Meus Lábios" e "De Tanto Bater, Meu Coração Parou". Adepto do cinema comercial e de gênero (para desespero de muitos acadêmicos), Jacques Audiard está no melhor momento da carreira, com O Profeta acumulando prêmios (Cesar e Bafta de melhor filme; por onde passou - embora tenha perdido o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro para o inferior "O Segredo dos Seus Olhos").

Boa parte da força deste novo filme se concentra em seu protagonista, o jovem Malik (Tahar Rahim), muçulmano analfabeto e nada praticante dos costumes de sua religião. Para sobreviver na prisão, ele terá que fazer trabalhos para o chefe da máfia ítalo-corsa, e assim subir, pouco a pouco, na hierarquia do seu ambiente. Adaptando-se às situações que surgem, Malik começará a demonstrar aptidões até então desconhecidas, construindo uma identidade própria para si.

Audiard retrata o cárcere como um microcosmos, onde a sociedade francesa está bem representada através de seus conflitos étnicos. Outro destaque é o ator Niels Arestrup no papel de César Luciani, o padrinho que acolhe Malik e que, eventualmente, será deposto pelo protegido. Se o filme peca às vezes por ter uma longa duração e momentos piegas - as sequências onde Malik vê a imagem do prisioneiro que teve que matar a mando de Luciani - o diretor tem a inteligência de usar uma narrativa quase documental, e não à toa, declarou ter se inspirado em "Pixote - A Lei do Mais Fraco" e "Carandiru", de Hector Babenco, para melhor apresentar a interação desses personagens marginais.

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