Esquadrão Classe A:


Fonte: [+] [-]
Original: The A-Team
País: EUA
Direção: Joe Carnahan
Elenco: Bradley Cooper, Liam Neeson e Jessica Biel.
Duração: 125 min.
Estréia: 11/06/2010
Ano: 2010


Muito bom mesmo.


Autor: Cid Nader

Como sempre e como nunca, os seriados televisivos que têm sido transferidos da mídia reduzida que é a telinha para a avantajada e bem mais complexa que é a do cinema, acabam quase sempre rendendo bons caldos: bons acepipes (reinterpretações quase sempre bem espertas e catalisadoras de essências mais enrustidas). Pelo release da própria assessoria de imprensa: “Esquadrão Classe A” foi um dos seriados de televisão mais populares nos anos 1980. Criado por Stephen J. Cannell e Frank Lupo, a série girava em torno das aventuras de uma equipe de quatro veteranos do Vietnã que, sentenciados por um tribunal militar por um crime que não cometeram, vão para o submundo e tornam-se soldados mercenários. Liderados por um coronel que não para de morder um charuto, John “Hannibal” Smith, interpretado originalmente por George Peppard, a equipe agia do lado do bem, enquanto tentava limpar seu nome.

Pois bem, quando digo reinterpretações e essências enrustidas, faço-o pensando sempre nas boas ideias surgidas nas cabeças de alguns diretores que, ao contrário do que a vã filosofia mercantilista das grandes produtoras fariam supor como passo certo em direção do lucro, escapam da reprodução pura e simples do que acontecia como ato comum nos seriados inspiradores, para encontrar caminhos mais elaborados, mais adequados às exigências cinematográficas: no caso de Esquadrão Classe A, o filme, Joe Carnahan, o diretor, foi ao que imaginou como a origem deles no mundo dos combatentes mercenários, fazendo com que seu trabalho todo discorresse os momentos anteriores ao engano que os condenou à exclusão da “santa companhia” das forças armadas americanas.

O diretor já se mostra antenado com as necessidades de transferências ideológicas ao situar a trama de seu trabalho nos tempos mais atuais, que referem à invasão ianque ao Iraque. Mais ainda do que isso, mais do que o evidente reforço das cenas retratando a camaradagem que iria brotar desse encontro iniciador – todo o relacionamento entre o quarteto se faz com rompantes de birras, cismas, desconfianças, ajustadamente estreitados por inequívocos rompantes de demonstrações de confiança, solidariedade, companheirismo (eles sabem que terão um futuro juntos e indissolúvel à frente) -, ele aposta no politicamente incorreto como um legítimo trunfo para passar confiança aos espectadores que queiram curtir o grande excesso de cenas de ações, sem ter de se situar autopunitivamente ante olhares censuradores de quem não consegue jamais desgrudar das boas regras políticas em favor da boa sacada, ou da boa piada. O filme trata a situação do Iraque como simples pano de fundo para as razões que confrontarão o pessoal do Esquadrão à oficialidade que manobra as ações dos americanos por lá – no caso da afronta a uma oficialidade suspeita até pode-se ler “correção política”, mas o filme não nega fogo ao propor papéis de baixos coadjuvantes aos donos da terra, de terroristas que fabricam dinheiro e tal; trata as mulheres que passeiam pelas situações com dignidade (elas reagem à altura), mas não nega que estão por ali, também, por seus belos atributos físicos.

Filmes de ação – por mais que tenham mais coisas para dizer, sendo que esse fala, também – necessitam de dinamismo, rapidez, algumas explosões, muita pirotecnia. Esquadrão Classe A, além de nos entregar tudo isso aos montes, o faz com muita qualidade: as cenas mais absurdamente velozes e explosivas são filmadas com uma qualidade muitíssimo superior (há um evidente cuidado como o modo de captação das imagens), além de editadas para não deixar que arestas sobrem sob os escombros resultantes das ações (realmente o filme tem qualidade muito acima da média nesse quesito); as ações são pontuadas por grandes sacadas referentes a músicas e modelos iconográficos oitentistas (situações que surgem como que do nada: no meio das hélices de um helicóptero, no momento em que líderes espirituais são citados...) e diálogos espertos e inteligentes. Além do mais, são ofertadas de presente ao espectador mirabolantes sequências, possíveis somente no nosso imaginário ou no cinema (como a do tanque retardando sua queda livre, por exemplo), e um bocado de humorzinho sutil: como é o momento em que B.A. Baracus – interpretado por Quinton “Rampage” Jackson – sucumbe ao apelo do medo em troca da oferta de um prato oferecido pelo maluqinho H.M. Murdock (pelo genial Sharlto Colpey), perguntando se terá “torradinhas”, também, acompanhando. Personagens bem executados, com personalidades definidas como se fossem peças de desenho animado. Uma grande e surpreendente reinterpretação de obra (modismo na época) televisiva.

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