Sex and the City 2:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: EUA
Direção: Michael Patrick King
Elenco: Sarah Jessica Parker, Kristin Davis, Cynthia Nixon.
Duração: 146 min.
Estréia: 28/05/2010
Ano: 2010


Pisa na bola lá no Oriente Médio


Autor: Cid Nader

Sex and the City 22 Não dá para negar que assistir a Sex and the City 2 é uma experiência um tanto estranha para quem não acompanhou fortemente a série na televisão – sempre obtive informações de orelhada, com amigas que adoravam a proposta neofeminista embutida na intenção, enquanto outras crispavam contra o que chamavam de império da superficialidade capitalista-novaiorquina-moderninha que alcunhava determinantemente as personagens e suas peripécias. Sabia, também, da sagacidade de texto empreendida aos filmetes, tanto quanto vim a saber da quase execração que o primeiro filme baseado na série feito para o cinema recebei nas cotas.

Ademais, o estilo das pessoas (a maioria delas, gente que nunca havia visto na vida, provavelmente egressas de veículos e revistas femininos) que circulava na cabine do filme denunciava que aquela praia talvez fosse dirigida intencionalmente para quem a reconhecia por vários aspectos – o que faria pressupor que o filme também embicaria por trajetos comuns aos que o conhecessem antecipadamente. Já na sala, reações e risadas surgidas em momentos que não mereceriam tal alarde em situações comuns faziam-me depreender que muito do que era relatado em algumas circunstâncias específicas (bastante herméticas para um simples mortal como eu, conhecedor de “House” e “Law and Order” – e olhe lá) era baseado no histórico televisivo do evento, e, mais ainda, vinham com força de modificações advindas pelo tempo da exposição das personagens, de suas idéias e ideais, ao público cativo, além de mudanças drásticas ocorridas (nelas e nas suas verdades: como casamentos, relação com crianças, afetividade pelos gays masculinos...).

Bem, com certeza, tentar observar obras cinematográficas de modo desconhecedor de seus possíveis pregressos, mais ainda, inocente quanto à sua estrutura original mais rígida (obras literárias, ou modos de compreender a vida pelos autores), sempre foram um desafio dos mais agradáveis para mim, principalmente com o passar dos tempos, quando uma convicção crescente vem me assaltando e imprimindo a certeza de uma dissociação quase obrigatória de referir obras cinematográficas às de sua gênese – creio cada vez mais que não é necessário se conhecer a arte que originou um filme, muito ao contrário, até porque estamos entrando numa arte, de confecção própria, caminhos únicos, que exigem outros modelos de compreensão e desenvolvimento (aliás, creio cada vez mais, também, que cada arte é própria em si mesmo, e seus mecanismos justificariam atos insubordinados de forma suficiente para que “heresias” sejam facilmente aceitas e compreendidas – desde que o resultado, obviamente, venha com qualidade). Depois de toda essa digressão – iniciei o texto imbuido do mais firme propósito em falar rapidamente do que vi, da formam mais direta possível – resta-me constatar que Sex and the City 2 não faz feio para quem não conhece meandros mais amealhados da história das garotas.

O filme sofre de um problema evidente que é o seu tamanho – por onde se estica e perde a boa dinâmica empreendida em sua parte “inicial”. Em seu início inventa um casamento homossexual dos mais bem sacados na história do cinema: bom de figurinos, bom de interpretações reações particulares quanto ao estilo do evento, bom de música. Nos momentos sequentes cada uma das quatro moças têm seu quinhão para delinear um pouco de suas “personalidades” e funções, onde se faz razoável a compreensão de fatos para quem não os conhecia – situações resolvidas com boas resoluções em pequenos espaços, sem excesso de didatismo. A história avança a contento, o filme é filmado sem erros e sem excessos, a fluidez acontece e momentos interessantes, relativos a opções de vida, tomam sua parte na película. Ia bem e fácil – sem ser volúvel -, mas esticou demais a partir da viagem ao exterior, cansando por parecer que havia encontrado dificuldade para o desfecho ideal (ou por deslumbramento ante as novas paisagens). Pior um pouco, ainda: se observadas com mais rigor, algumas situações finais (que, a princípio tentam se apresentar como libelo feminista em favor das “pobres” muçulmanas enclausuradas pela ignorância) remetem à ignorância norte-americana quanto a maneiras de pensar diversas das deles, fazendo com que imaginar o capitalismo (não a liberdade exercida por lá desde há muito e que possibilitou a existência desse capitalismo) e suas crias como a maior da dádivas humanísticas. Filme que transitou bem – quando em seus domínios - até tentar “pensar” na maneira pela qual os “outros” devem pensar.

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