Fúria de Titãs:


Fonte: [+] [-]
Original: Clash of the Titans
País: EUA
Direção: Louis Leterrier
Elenco: Sam Worthington, Ralph Fiennes, Liam Neeson, Gemma Artenton.
Duração: 106 min.
Estréia: 21/05/2010
Ano: 2010


Entretenimento. E nunca quis ser outra coisa.


Autor: Cid Nader

Fúria de Titãs em nenhum momento nega a que veio: ser um filme de entretenimento na mais “familiar” das acepções do termo, sem querer desestruturar convenções simplistas, sem querer ser inscrito em compêndios sobre revoluções estéticas, na mais firme das intenções em se aproveita das regrinhas estabelecidas pela grande indústria para filme do gênero, aproveitando o bom mocismo escancarado para aplicar um tantinho de aula de mitologia grega (aquela fatia básica que já carregando incrustada no nosso DNA). É também parte da “convenção que regra estruturas para confecção de filmes de entretenimento”, rolar um certo cuidado e capricho nessa orientação “histórica” do trabalho (desde que os personagens e a trama vivam e decorram em ambientes mitológicos, ou que resgatem aulas de história mais mundialmente reconhecida), setor no qual o diretor Louis Leterrier revelou-se atencioso com a plateia (explica, dentro das possibilidades, com cuidado o trecho da mitologia grega que refere ao semi-deus Perseu, a Zeus, seu pai, a Haddes, seu “tio” vingativo, e tal – a escolha do momento do filme, da busca de vingança, da medusa, das ameaças é a mais reconhecida pelas pessoas que nem são tão afeitas à mitologia), na medida certa para fazer jus às sequências de ação que, invariavelmente, serão o mote agarrador principal: como sempre, nesse modelo de trabalho.

Se em algum momento a intenção original de agradar público ávido por tal tipo de filme quisesse ter sido camuflada – e reforço, não aconteceu em nenhum momento –, o fato de os executivos da Warner terem interferido de modo bastante drástico na conclusão técnica do trabalho não permitiria. Eles frearam alguns andamentos do processo de lançamento para a realização de testes sobre o material filmado, na busca da possibilidade de convertê-lo em trabalho 3D. Testes feitos, aprovados, e essa refilmagem do “clássico” homônimo de 1981, se viu pronta, definitivamente, para alçar seu voo em busca de renda grande e público fiel.

Há momentos em que escrever sobre alguns filmes requer um pouco mais de compreensão sobre outras funções do cinema, que não só as de configurar-se como arte de possibilidades superiores. Ir à sala escura em busca de diversão é a gênese dessa questão. Perceber que um trabalho se oferece sem camuflagens para tal, requer, de quem tenta analisá-lo, um pouco mais de complacência sobre os evidentes “estragos” que causarão. Mas, não sendo estrago que tente influenciar pro mau caratismo ou por manipulação maniqueísta, sendo esse modelo de “estrago” (o da simplificação), está valendo. O filme não é abençoado por interpretações memoráveis, mas é correto em sua composição cenográfica; não mente ao transitar o mito de seus veículos tradicionais (os orados e os escritos) para o das imagens em movimento; tem problemas no excesso kitch de algumas cenas, mas é bom na dinâmica dos combates e em algumas das soluções visuais desses; é enganador no resultado 3D tão buscado pelos seus patrões (recomendo para quem for assistir economizar um pouco de seu dinheiro – talvez para a pipoca -, pois o 3D obtido chega a ser tosco, criando uma sensação de colagem)...

Sem querer enganar, se oferece com entretenimento despretensioso. E o é.

Leia também: