O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus:


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Original: The Imaginarium of Dr. Parnassus
País: Canadá/França/Inglaterra
Direção: Terry Gilliam
Elenco: Johnny Depp, Heath Ledger, Jude Law e Colin Farrell.
Duração: 117 min.
Estréia: 07/05/2010
Ano: 2009


Exageros visuais cafonas conduzidos pela mão pesada de Gilliam


Autor: Fernando Oriente

Terry Gilliam era o responsável pelas animações que entrecortavam esquetes do “Monthy Pyton Flying Circus”, o melhor programa humorístico da história da televisão mundial. Com esses créditos na bagagem, fica fácil entender sua predileção e familiaridade pelos elementos fantasiosos. Mas é a partir dessa concepção da dramaticidade como campo de exploração do fantástico que o diretor começou a se perder em excessos na sua transição do humor televisivo para o cinema. Seus longas são sempre recheados de exageros visuais que contaminam a condução narrativa e eliminam as possibilidades de desdobramentos mais complexos das tramas criadas por sua imaginação fértil. O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus é mais um exemplo dessas características de Gilliam.

Embora não seja um de seus piores trabalhos, como o bisonho “O Pescador de Ilusões” (1991), o longa é um amontoado de hipérboles visuais, que ficam ainda piores pelo aspecto vulgar proporcionado pela computação gráfica, brega ao extremo. Parece que diretores do mundo inteiro ainda não encontraram o tom certo na utilização de efeitos visuais computadorizados, que quase sempre “sujam” a forma fílmica com seu artificialismo e sua cafonice. Gilliam passa a impressão de um deslumbrado que não consegue domar seus impulsos em criar espetáculos visuais que deem vida a seus devaneios. Para piorar a situação, O Mundo Imaginário do Doutor Paranassus escorrega feio no tom de parábola moral que, paradoxalmente, tenta camuflar.

Por mais que Gilliam se esforce em evitar a pieguice, certas sequências como o descontrole da filha de Parnassus ao descobrir sobre seu destino e a luta do jovem herói para salvar sua amada escancaram como as “fábulas” do diretor quase sempre escorregam para o moralismo convencional do cinemão de entretenimento. Um ponto positivo no longa é a presença de Tom Waits como o diabo. A simples presença de um tipo tão cool e carismático como Waits ajuda a eliminar o maniqueismo na concepção dos personagens. Ajuda muito também o tratamento que o roteiro reserva para o diabo, que é explorado como um tipo sedutor e não apenas como um vilão unilateral.

O elenco masculino acaba sendo o que de melhor o filme reserva. Heath Ledger (discreto em seu último papel no cinema), Johnny Depp, Colin Farrell e Jude Law, além de Christopher Plummer, dão certa legitimidade, embora capenga, ao filme. Essa escalação de nomes cools e descolados do star system infelizmente acaba não passando de um verniz devido ao acúmulo visual e a pouca habilidade de Gilliam em explorar as sutilezas que uma fábula contemporânea poderia sugerir. Além da superficialidade no desenvolvimento dramático, o longa ainda deixa claro seus problemas de evolução narrativa. A mão pesada de Gilliam contagia a construção das cenas e a fluência do filme torna-se truncada, tornando o longa uma sucessão de situações mal resolvidas, tanto na forma com na exploração de conteúdo.

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