BEIJOS E TIROS:


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Original: Kiss Kiss, Bang Bang
País: EUA
Direção: Shane Black
Elenco: Robert Downey Jr., Val Kilmer, Michelle Monaghan, Corbin Bernsen, Dash Mihok, Larry Miller, Rockmond Dunbar e Angela Lindvall.
Duração: 112
Estréia: 2/12/2005
Ano: 2005


"Beijos e Tiros” é diversão garantida


Autor: Laura Cánepa

Não há muito o que dizer sobre “Beijos e Tiros” (“Kiss, Kiss, Bang, Bang”, 2005), a não ser que é diversão garantida. O filme foi escrito e dirigido pelo cineasta estreante Shane Black, mais conhecido por ter emplacado, aos 23 anos, o roteiro de “Máquina Mortífera” (“Letal Weapon”, 1987), sucesso de bilheteria dirigido pelo experiente Richard Donner, e que rendeu três bem-sucedidas continuações ao longo da década seguinte.

Baseado no livro “Bodies are where you find them” (1959), do escritor Brett Halliday, “Beijos e Tiros” brinca com a tradição das histórias de detetives e com o cinema noir, sobretudo com os filmes baseados na obra de Raymond Chandler, como “A Dama do Lago” (Robert Montgomery, 1946).

A história é rocambolesca: o ladrão Harry Lockhart (Robert Downey Jr) vai parar por engano num teste para atores de um filme policial. Como faz o maior sucesso pelo realismo com que interpreta a cena, é levado pelo produtor para Los Angeles, onde deverá ser “treinado” para seu papel de estréia por um detetive gay e meio picareta, Gay Perry (Val Kilmer). Enquanto aprende a lidar com seu novo amigo e com o universo do cinema, Harry reencontra a amiga de infância Harmony Faith Lane (Michele Monaghan), hoje uma atriz fracassada, envolvida em um mistério investigado justamente por Perry.

Estabelecida a confusão, somos jogados, junto com Harry, num mundo de aparências, onde ninguém pode confiar em ninguém. A graça da situação vem com a narração feita pelo personagem, que interfere o tempo inteiro na história e ironiza o amontoado de clichês que vão sendo apresentados ao espectador.

O filme é muito mais divertido para quem gosta daquelas tradicionais histórias de detetives que tiveram seu auge nos anos 1940-1950, mas não apresenta qualquer dificuldade de entendimento aos espectadores que, por ventura, nunca tenham se interessado por esse gênero de ficção. Para os que têm saudade de “Máquina Mortífera”, também uma boa notícia: o olhar sensível (mas “muito macho”) de Shane Black para as amizades masculinas continua rendendo bons momentos.

No mais, é um grande prazer ver o elenco afinado (sobretudo o trio central), passando do suspense à comédia com grande desenvoltura. Também fica a certeza de que, embora tenham pago alguns “micos” no cinema e na TV nos últimos anos, Robert Downey Jr. e Val Kilmer ainda estão entre os melhores (e mais charmosos) atores de sua geração.

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