Zona Verde:


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Original: Green Zone
País: EUA/Esp. Reino Unido
Direção: Paul Greengrass
Elenco: Brendan Gleeson, Antoni Corone, Matt Damon, Jason Isaacs, Greg Kinnear.
Duração: 117 min.
Estréia: 16/04/2010
Ano: 2010


Uma "zona" de intenções.


Autor: Cid Nader

O diretor Paul Greengrass anda caminhando acelerado demais no mundo do cinema atual. Autor de obras com forte apelo político no início de sua carreira - principalmente em seu início na televisão, onde se especializou em conflitos bélicos e denuncias políticas -, adernou razoavelmente no modo de construção de seus filmes, passando a ser mais reconhecido como um quase revolucionário autor por conta do modo estonteante optado para a construção dos dois filmes da "Saga Bourne" (com a "Supremacia Bourne", em 2004, e o "Ultimato Bourne", em 2007). Filmes de pegada estética frenética, com cortes e montagem incrivelmente curtos e justos, o que possibilitou aos filmes ritmo narrativo que não permitiam muito a tentativa de raciocínio do espectador, mas que, também, não mereceriam a acusação de manipuladores ou orientadores das informações. O que se percebia lá, era uma justa adequação das necessidades modernas para um modelo de cinema de ação, que pareceria canhestra ou maniqueísta se mantivesse padrões já utilizados e que emprestavam códigos de outros trabalhos do gênero ligados a "lavagem cerebral" do espectador, e detentores das atenções via muito barulho e movimentos de câmeras tão ágeis quanto ruins no enfoque - para não falar de edições quadradas. Daria para dizer que Greengrass renovou o modelo "filmes de ação".

No meio dessa novidade trazida por ele à arte surgiu seu muito bom "Vôo Unite 93", em 2006, no qual utilizou outros modelos técnicos de confecção - acalmou sua câmera e o modo de edição -, criando um grande filme com quesitos de suspense e um grande e acertado apelo voltado ao questionamento político (discutindo uma das cenas do atentado de 11 de setembro em Nova Iorque, retornava ao início de carreira mais político). Pois bem: são desses dois Paul Greegrass que comparecem fortemente emaranhados nesse seu mais recente trabalho, Zona Verde. Um filme onde tenta tratar assuntos políticos/bélicos pra lá de cabeludos, mas no qual demonstra não ter esquecido ou abandonado o modo criado de velocidade e edição curta e rápida - sem deixar de dizer que volta a trabalhar com seu ator da "Saga Bourne", Matt Damon.

A respeito da história: vale dizer que toda a ação se passa na ocupada Bagdá de 2003, onde não se há certeza das verdades sobre as razões reais da invasão ocidental comanda pelos ianques e pelos britânicos, onde não se encontram os propalados e temidos depósitos de armas químicas, onde interesses de governos são conduzidos por entidades de inteligência e de exércitos (não se sabendo, também, até onde há ingerência de um ou outro). Vale dizer, sobre a história, que ele foi inspirada num livro do jornalista Rajiv Chandrasekaran, de 2006, onde se discute a vida na zona verde (área especial) em Bagdá.

A respeito do resultado: parece bem óbvio que o diretor deixou-se contaminar pela dinâmica de seus filmes recentes, ditando narrativa e conclusões com o pensamento obstruído pelas possibilidades estéticas. A impressão que vai ganhando força conforme o filme avança - já que, no início, a ideia de um trabalho bastante atento às denúncias que quer denunciar parece que se imporá como fator principal de condução do trabalho - é de que a ficção e o formato ação foram as principais razões de ser do trabalho, o que sepulta vagarosamente os fatos relatados; o que resgata e impõe dominância a um amontoado de sequencias de ação inaceitáveis e de facilitada conclusão pela inépcia dos donos legítimos da região, os iraquianos (sempre levando bala, ou bacanas quando cooperadores, que no início pareciam estar levando respeito do filme). Greengraas utilizou seu estilo e, ao mesmo tempo, deixou-se contaminar por razões nada justas quando o assunto trata de gente de verdade.

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