Como Treinar o Seu Dragão 3D :


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Original: How To Train Your Dragon
País: EUA
Direção: Dean DeBlois, Chris Sanders.
Elenco: Animação.
Duração: 98 min.
Estréia: 26/03/2010
Ano: 2010


Nossos pets.


Autor: Cid Nader

Antes de falar mais especificamente de Como Treinar o Seu Dragão (em 3D) quero só dar um pitaquinho justamente nessa história de 3D. Por mais que esteja se avançando na qualidade e nos modelos de 3D oferecidos no mercado de exibição; por mais que seja quase impossível não nos curvarmos boquiabertos ante a revolução no assunto apresentada por James Cameron com sua super-produção, "Avatar"; por mais que cada vez mais se invista na confecção de fillmes que se abastecem fortemente, principalmente, nessa "qualidade", não ando conseguindo me encantar com a técnica. Mais: acho inacreditável estar se avançando tanto no quesito e ainda termos de suportar aqueles pra lá de incômodos óculos de plástico, que azucrinam e atrapalham a concentração, para de vez em quando um foguinho vir voando em minha direção, uma nevezinha fingir que vai cair na minha cabeça... A utilização obrogatória desses tais óculos - por enquanto, ao menos - retrocede o modelo de apreciação à primeira metade do século passado, com filmes toscos que ganhavam "pontos" pela enganação imposta aos nossos cérebros (fato que se repete, no cerne, afinal de contas, até hoje) por imagens sobrepostas juntinhas, e por um par de lentes que fazem nossa cabeça espremer os neurônios óticos em busca de uma adequação necessária em busca de um foco único.

Dito isso, ao que quero chegar, na realidade, é o fato de perceber que essa animação, dirigida por Dean DeBlois , Chris Sanders, seria tão incrivelmente boa quanto é se tivesse sido concretizada somente pelo padrão "comum" de tecnologia digital pelo qual foi construída. É tremendamente bom o filme. Animação de gente e estúdio que entende do assunto, que sabem fazer rir, sabem construir momentos, sabem pesquisar e modificar elementos históricos como as artes permitem/exigem, sabem entender por trás da técnica que existe a oportunidade de se fazer dessas chances oportunidades de evidenciamento de compreensão sobre comportamentos, sobre humanidades, sobre relações - aliás, a Dreamworks consegue unir reflexões e assuntos sérios, discutindo-os com pertinência em grande parte de suas produções.

Como já falei "sério" demais no início do texto pra falar mal do 3D, nem vou esticar demais nos assuntos sérios que embasam o filme dentro de patamares mais complexos que os de simples diversão, mas a relação de pai e filho (o viking mor caçador de dragões Stoico, e seu frágil e distraído filho - nada a ver com o ideal imaginado para a sequencia da estirpe -, o Soluço) é bastante bem trabalhada pelas malhas mais finas do "desenho", revelando momentos de fraqueza do fortão pai, indecisões sobre como continuar a criação sem uma mãe para acompanhar, e fazendo notar, também, o quanto tal filho necessita, internamente, se revelar ao pai como alguém que não será eternamente um empecilho, um fraco, um estorvo. Há bastante "discussões" sutis (por imagens, principalmente) entremeadas por fios finos na malha narrativa do trabalho.

Mas é principalmente a diversão leve que sustenta Como Treinar o Seu Dragão. Computação nada complexa com modelos de fácil assimilação e compreensão - o que não significa descuido com todo o espaço gráfico de preenchimento da tela (os cenários e detalhes são bastante bem realizados e em quantidade suficiente) -, rapidez (não embromação) na história contada, tipos humanos bastante bem definidos e imaginação fértil na elaboração dos dragões que povoarão a tela. O humor e os equívocos são arma forte na narrativa oral, boas sacadas, e uma reconstituição dos tempos vikings sem nenhuma cerimônia (o que é muito bom). Mas a leveza maior que fortifica a vertente mais aparente da animação está na inteligente recriação de comportamentos (olhares, medos demonstrados, valentias, trejeitos...) dos dragões (principalmente na "figura" do dragão negro que aterroriza o inconsciente da aldeia), totalmente copiados dos modos e atos dos nossos bichos de estimação mais caros (gatos ou cachorros). A atenção que os trabalhos da Dreamworks costuma dirigir aos comportamentos humanos, também o é para a avaliação e decodificação de códigos dos bichos que nos são mais próximos. Diversão (inteligente) garantida, sem dúvida.

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