A ÁGUIA:


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Original: The Eagle
País: EUA
Direção: Clarence Brown
Elenco: Rodolfo Valentino, Vilma Banky e Louise Dresser
Duração: 70
Estréia: 25/11/2005 (Reestréia)
Ano: 1925


Mito Erótico


Autor: Cid Nader

E eu que imaginava ser a luz difusa, usada para embelezar e criar clima - mesmo que artificialmente - à cena, no cinema, uma invenção do diretor Ridley Scott e suas táticas publicitárias. 1925 e eis que lá, atravessando uma janela, impávida e sem cerimônia, está ela, dando um brilho original e esmaecido à cena, já próximo do final do filme.

Inocentemente acreditava que o uso da câmera na mão fosse invenção dos dogmáticos escandinavos, ou que o uso do trilho - para criar momentos de virtuosismo técnico - se devesse à criatividade do americano Brian de Palma. Mas voltamos lá, a 1925, nesse "O Águia", e incrédulo vejo a perseguição a uma carruagem, com uma câmera manuseada sobre um cavalo, ou um espetacular recuo por sobre uma mesa, repleta de comidas e velas, que culmina com um casal tomando o lugar por onde, supostamente, a filmagem teria sido encerrada (não me pergunte como, imagino que com trilhos suspensos, mas não tenho certeza de nada).

Falar de utilização de símbolos sexuais, tentando ou sendo tentados por donos do poder, repletos de força e carentes de encanto. A louríssima Marilyn Monroe me aparecia como a mais provável iniciadora desse gênero peculiar de atuação. Isso para ignorantes como eu, que imaginavam ser Rodolfo Valentino nome de cantor e dançarino de tango, mesmo que oriundo da Itália. Mas nesse filme, dirigido por Clarence Brown, constato ser ele um cobiçado soldado cossaco, desejado pela filha do homem que roubou a fortuna de seu pai, e condenado à morte pela Czarina da Rússia por recusar promoção militar em troca de favores sexuais - 1925, veja você.

Brincadeirinhas à parte, é sempre bom ver um filme antigo, dos primórdios, reestreando. Mesmo que não comparável à já verdadeiras pérolas contemporâneas ou anteriores ao seu surgimento. Mesmo com o uso de intertítulos com um português anterior à reforma ortográfica do início da década de 1970 - já que provavelmente restaurado e mesmo assim com problemas na banda sonora, que reproduz um misto de músicas clássicas russas, entre elas grandes trechos do balé Quebra Nozes, num enxerto sem qualquer tipo de lógica. Mesmo constatando o quão canastrão era o sex-simbol Rodolfo Valentino, comprovando que um rostinho bonito - seja para o público feminino ou para o masculino - pode superar qualidades artísticas mais apuradas, no gosto do "exigente" público pagante.
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