EM MINHA TERRA:


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Original: Country of my skull
País: Inglaterra / Irlanda / África do Sul
Direção: John Boorman
Elenco: Samuel L. Jackson, Juliette Binoche e Brendan Gleeson, Menzi Ngubane, Sam Ngakane, Aletta Bezuidenhout e Lionel Newton.
Duração: 100
Estréia: 25/11/2005
Ano: 2005


Apartheid pitoresco


Autor: Cid Nader

Que eu me lembre, agora, o filme que me agrada - e muito - da carreira do cineasta John Boorman, é "Esperança e Glória" - em discussões com amigos que não gostam de seu trabalho, nem esse filme escapa. Neste seu primeiro grande sucesso mostrava domínio total do assunto abordado, se permitindo o uso do humor e de uma certa nostalgia de tempos bicudos e que não deveriam deixar saudades. Justamente aí estava o seu grande mérito, por essa maneira não "comprometida" e " obrigatoriamente lamentosa" de encarar a II Grande Guerra. Trouxe um frescor ao cinema - até hoje reincidente ao extremo no assunto - que me pareceu à época bastante salutar, interessante, fazendo do assunto obra de arte leve mas não irresponsável.

"Em minha Terra" - passados tantos anos e tantos filmes - me pareceu mais um gol contra do diretor. Conta o momento que sucedeu o fim do "apartheid" na África do Sul, com um enorme julgamento, em que foi dada a possibilidade de anistia aos que se declarassem culpados das atrocidades cometidas, no longo e tenebroso período de segregação racial que se fez marca registrada do país - infeliz marca -, mas que tivessem cometido tais atos em decorrência de ordens superiores.

O filme derrapa na insistência que tem a maioria dos diretores ao retratar a África, seus comportamentos e particularidades, de maneira "pitoresca". Vale uma observação: no recentíssimo filme de Fernando Meireles, "O Jardineiro Fiel", o diretor mostra como é possível ser respeitoso, realista, e mesmo assim se conseguir obter o resultado aguardado ao filmar o Continente Negro, sem a necessidade de subterfúgios e de sub-arte folclórica para que possamos conhecê-lo ou reconhecê-lo.

O filme derrapa, também, na fraquíssima atuação de Juliette Binoche, gente boa, linda, porém cada vez mais demonstrando erros na escolha de papéis. Seu personagem é caricato, sem nuances próprias, passando a impressão de ter sido composto sem nenhum tipo de estudo, preparação ou, ao menos, vontade de dar-lhe algum tipo de característica que pudesse exceder às determinadas pelas cartilhas de atuação.

Derrapa - para finalizarmos o assunto derrapagens - nos momentos que seriam os de emoção certa, tal a força e dramaticidade do assunto abordado, mas que acabam comprometidos por reações exageradas e fora do tom; nitidamente uma opção do diretor - os choros, as músicas nativas, as caras e "ohs" dos coadjuvantes, sinceramente hein.

Há uma surpresa no final, grande e importante, mas é somente uma, em um filme obviamente careta.

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