Jards Macalé - Um Morcego na Porta Principal:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: Brasil
Direção: Marco Abujamra, João Pimentel.
Elenco: Documentário.
Duração: 71 min.
Estréia: 05/03/2010
Ano: 2008


Ímpar.


Autor: Cid Nader

Bem, se é já é um tanto difícil falar da figura de Jards Macalé para quem não o conhece um pouco que seja – explicar sua importância, a razão de seu sucesso (com suas músicas "estranhas) junto a um público mais específico, mais intelectualizado, mais politizado e formador de opiniões -, muito mais difícil tentar passar algo com a dificuldade advinda do som do trabalho. Com evidente pouco cuidado na captação fica-se quase impossível entender os diálogos do trabalho, ao menos na intensidade e quantidade desejada para o reconhecimento da figura e de suas ideias. Por conta de um pouco mais de cuidado com o som dos depoentes o filme cumpriu ao menos a meta de fazer perceber a importância dele junto a pessoas "importantes". Mas a qualidade do som complicou demais se perceber as letras das músicas por exemplo, afora um amontoado de falas dele, que resultariam tremenda importância para a apresentação de seu jeito de encarar o mundo.

No início do trabalho, Jards discute com o pessoal da equipe do documentário sobre a proposta do filme, colocando em dúvida o resultado, temendo a não obtenção de algo razoavelmente próximo de sua irreverência e “genialidade” - chegando a “ameaçar” um processo. O que esse começo faz antever é que o cantor e compositor preza demais sua não anuência ao comum, e o quanto a dúvida sobre a capacidade dos diretores Marco Abujamra e João Pimentel traduzirem ao menos parte disso para cinema o incomodava.

Bem, eles acabam por fazer com que o amontoado um tanto frenético de imagens contribua como algo a mais para a dificuldade, já originada pelo problemático som, de compreensão, ao mesmo tempo em que nota-se-o esperto ao dirigir seu trabalho a algo que busca muito a reverência ao sentido de ser de Jards. Destacam-se as imagens de arquivo (muitas, raras, cedidas diretamente do “baú” do artista), que ganharam ordem através de formatação e edição inventiva e de boa qualidade: imagens que o pegam desde os tempos de criança, passando pelo seu relacionamento com os tropicalistas, ou revelando alguns trechos maravilhosos de "O Amuleto de Ogum" (Nelson Pereira dos Santos), onde ele atua de maneira especial e única.

Alguns de seus depoimentos são exemplares e “didáticos” (se é possível usar mesmo tal termo, nesse caso), quando compreendidos, como elementos traçadores do seu modo de ser e de trabalhar música (vale atentar para o momento em que fala da “briga” que teve com Dory Caimi, para tal, por exemplo). O dinamismo emprestado pelo diretor e transferido reverencialmente ao filme, resultou algo bastante bom – principalmente para quem é mais jovem ou não conhece um tanto a mais a obra e a figura do “homenageado” - e bastante justo à proposta de fazer um documentário sobre ele. Talvez seja necessário esforço extra para a compreensão auditiva de boa parte, as o esforço será válido.

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