Idas e Vindas do Amor:


Fonte: [+] [-]
Original: Valentine's Day
País: EUA
Direção: Garry Marshall
Elenco: Taylor Lautner, Bradley Cooper, Ashton Kutcher.
Duração: 125 min.
Estréia: 19/02/2010
Ano: 2010


Cansativo e desencadeado.


Autor: Cid Nader

Garry Marshall (o diretor de Idas e Vindas do Amo) é daqueles veteranos do cinema norte-americano que continua se fiando, como há 20, 30 anos, na força do “amor” como única necessidade imprescindível para fazer com que um filme seja um filme. Diretores como ele, que abdicam de outras ferramentas para confeccionar seus trabalhos desde que se fale de amor e se transforme a película em veículo “condutor leve” das tramas abordadas, são espécie em extinção, em um mundo cada vez mais exigente de ousadias técnicas, ou – quando mais antenados – de assinatura que faça evidente perceber que eles entendem de cinema mais do que somente veículo de diversão pura e descompromissada com “regras de bons tratos da arte”.

Voltando-se rapidamente a seu passado como cineasta, percebe-se seu maior sucesso definitivamente ligado à fugacidade de “Uma Linda Mulher”, de 1990 (filme que tem seus méritos por ter ganho seu espaço na mitologia do cinema de entrenimento, mas que, cá entre nós, é um furo n'água quando se tenta exigir mais capacidade na realização), com uma carreira estendida e replete de diversos títulos nada memoráveis. A exceção nessa longuíssima e assumidamente vaga carreira, diria, talvez recaia sobre os ombros de “Frankie e Johny” (1991), com evidente linhagem dos outros filmes do diretor (essa linhagem que traz na carga genética o amor e a sua discussão, por tomadas de câmeras leves, tanto quanto é leve sua discussão sobre o tema), mas que, por algum acaso ou grande momento de inspiração, se tornou um trabalho que aborda e observa de maneira mais madura e menos afetada as pessoas das urbes, em seu isolamento emocional, numa faixa de idade onde já não se pensa em paixão e futuros vertiginosos como coisas factíveis, ou até apropriadas.

Se tentei dar uma breve esmiuçada no estilo de Marshall fazer cinema é porque essa sua mais recente obra se vê totalmente alinhada aos ideais e anseios dele no extenso de sua carreira. É filme que “tenta” falar de amores, tenta imprimir na tela imagens de pessoas que amam, se faz pretensioso na intenção de que sabe o que está fazendo e como está tratando o tema, mas carrega por todo o tempo de sua exibição um vazio que beira o insuportável. É evidente trabalho afetado pelo modo do diretor trabalhar, com cacoetes e pouca “inspiração profunda”. Ele se repete e ao seu modo de compreender as possibilidades mais ampliadas do cinema: para o diretor, percebe-se facilmente, essa arte deve se adornar de imagens superficiais (desde que belas ao seu modo de compreender o alcance de imagens belas), sendo tal atitude suficiente para catalizar público e, pior, para tentar fazer crer que se sestá tratando bem de domínio tão complexo quanto sensível.

O filme resolve abarcar uma miríade situações e personagens que se entrelaçam durante a comemoração do “Valentine's Day” (o dia namorado lá dos ianques, que, percebe-se, é levado a sério e comercialmente, também, de modo muito intenso) e se contenta com o tema como mote suficientemente amplo para aguentar os trancos decorrentes das situações de amor que correm pela trama múltipla. As histórias são de pouca intensidade, já para começar – com exceção da protagonizada pela capitã do exército interpretada por uma contida Julia Roberts, e um “companheiro” de viagem (Bradley Cooper) num vôo interminável -, e a utilização de galãs e atrizes de forte apelo junto a públicos das mais diversas idades acaba indicando, muito mais do que ação politicamente correta querendo dizer que todos tê, direito a amar e viver (o que já seria boboca demais), que a ideia de sempre é a de agradar as mais diversas camadas possíveis e desejadas pela indústria.

Mas o seu maior equívoco, incrivelmente, está justamente na “ousadia formalista” tentada por alguém que sempre trafegou por caminhos comuns, que é justamente a da tentativa de abarcar as diversas histórias paralela e intrinsecamente, com um resultado que faz pensar a acada cinco minutos que a história já está esgotada e o filme está para terminar. Quer dizer, além de personagens fracos, de relacionamentos insípidos, de muita bobeira amorosa, o filme, ainda por cima, é trôpego e desencadeado. Dispensável.

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