Ninja Assassino:


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Original: Ninja Assassin
País: EUA
Direção: James McTeigue
Elenco: Sung Kang, Randall Duk Kim e Rick Yune.
Duração: 99 min.
Estréia: 05/02/2010
Ano: 2009


A arte do cinema via grafismo e violência.


Autor: Cid Nader

Sangue é um tecido conjuntivo líquido que circula pelo sistema vascular sanguíneo dos animais vertebrados. É produzido na medula óssea vermelha e tem como função a manutenção da vida do organismo por meio do transporte de nutrientes, toxinas (metabólitos), oxigênio e gás carbônico. O sangue é constituído por diversos tipos de células (ocasionalmente chamadas de corpúsculos); esses elementos figurados (ou formadores) constituem a parte "sólida" do sangue e cerca de 45% de volume total. Já os 55% restantes são formados de uma parte líquida chamada plasma (ou soro - plasma sem fibrinogênio) e de aproximadamente 45% de outros componentes que agrupados constituem os elementos figurados do sangue. São divididos em leucócitos ou glóbulos brancos (células de defesa), glóbulos vermelhos, eritrócitos ou hemácias (transporte de oxigênio), e plaquetas (fatores de coagulação sanguínea).

O sangue forma o tecido hematopoiético que também é um tecido conjuntivo, pois possui grande quantidade de material extracelular, denominado, nesse caso, plasma. Esse líquido amarelado é composto basicamente por água (90%), mas também é constituído por sais, proteína, hormônios, nutrientes, gases e excreções. A função do plasma é transportar essas substâncias por todo organismo, permitindo às células a receber nutrientes e excretar e/ou secretar substância geradas no metabolismo. As proteínas do plasma são muito importantes pois as responsáveis pelo transporte dos ácidos graxos livres e algumas (imunoglobulinas) também atuam como anticorpos.


A partir dessa definição científica do que é o sangue, e notando sua importância vital, inicio o texto alertando, para os impressionáveis quanto à fragilidade da vida, e para os que se impressionam ante a visão do sangue que jorra ou pinga: Ninja Assassino não é filme para vocês.

Do mesmo diretor de “V de Vingança”, James McTigue, e com um apuro técnico até superior (sendo que “V” é dos mais belos “trabalhos técnico/estéticos” do cinema recente), o filme fala de clãs milenares orientais, de ninjas, e de polícia européia tentando descobrir um nicho que se especializou em assassinatos por um punhado de ouro. Não dá para levar o filme a sério em nenhum sentido, sendo que isso não é obrigatoriamente desmérito. Como já citei, técnica e esteticamente é um primor, um achado, um abuso de boas confecções – e isso é o que mais valeria ser ressaltado. Porém, antes dos elogios, vale citar que como história, recados, mensagens, valores e tal, é de uma pobreza impressionante.

Há uma acomodação evidente na elaboração dos diálogos e ditados – sim, filmes orientais remetem a imaginá-los recheados de frases e ditados engrandecedores -, proferidos em cada um dos poucos momento de paz de Ninja Assassino, num ato que faz imaginar o diretor e o roteirista seguindo normas que se estabelecem como obrigatórias para quem imagina o cinema como arte a ser contada, além de ostentada via imagens. Tentando evitar a “pecha” de filme formalista, situações de ligações afetivas, temporais, e de encadeamento lógico dos fatos acabam recheando com pouca inspiração e muita baboseira romântica os trechos responsáveis por cumprir tais metas: como uso de flash-back repetido (ato manjado) a cada parada de olhar do ninja Raizo (interpretado por um tal de Rain, que luta bem demais, e interpreta essas necessidades sofrivelmente) se conta sua história pregressa, se conhece as razões de vê-lo resultado como um desgarrado, se fala de coração, infância, norteamento e essas coisinhas comuns ao desejado pelo geral das pessoas.

Mas - como acabei de comentar inclusive com o amigo e crítico Alysson Oliveira -, como sou daqueles para quem cinema é acima, e antes de tudo, a boa manipulação (captação e edição) da imagem, o que mais me interessou e agradou nesse novo trabalho de McTigue é o que ele obteve com o que captou e transformou: via e para o olhar. Apesar de extremamente violento e sanguinolento, não dá para embarcar no filme sem imaginá-lo como uma experiência gráfica - experiência gráfica admirável. Ele já havia ameaçado tamanho bom desempenho gráfico na cena final de luta em “V de Vingança” - vale até lembrar que aquele filme tinha “conteúdo essencial, literário”, bem importante e significativamente paralelo em alta qualidade com sua elaboração estética, já que discutia impressionantemente bem modos de governos, sistemas, instituições, através de um justo olhar à realidade e origem do anarquismo -, quando o brilho de lâminas coadunava com respingos vermelhos de sangue contra fundo escuro, gerados por luta coreografada e com velocidade alterada.

Bem: logo no início desse trabalho de agora, em meio a breu e negror, sangue e pedaços de corpos ganham os espaços da tela, iluminados rapidamente por brilho de facas e aparatos de metal. Não dá para se instalar no filme sem logo se imaginar que um amontoado de ações e experimentações visuais farão de seu percurso o motivo mais importante de sua existência. A partir dessa aceitação – talvez seja um ato de abnegação, de despreendimento complicado isso, para boa parcela dos que o assistirão -, o grafismo e as coreografias tomarão de assalto seus momentos mais importantes (imaginados para tal alcance e importância), e, com a ajuda imprescindível de uma trilha sonora poderosa, além de um tantinho de bom humor, revelarão que se está assistindo algo que dialoga fortemente com histórias desenhadas, só que com “alma” de cinema. Dinamismo e boas lutas filmadas distanciarão o filme do “simples” grafismo estático de páginas de revistas. Algumas “invenções”, também, se evidenciarão como elementos típicos dessa arte: os ninjas que rastejam e sussurram (em pensamento) – como se fossem hienas em busca da caça; a fuga impensável num carro que vai sendo cravejado por aquelas estrelas de aço típicas das lutas orientais; ou o papel arroz de uma parde sendo tingido - como que com escritos – por sangue.

Sim, é difícil para estômagos mais sensíveis e dialoga com a platéia através, principalmente, do vermelho do sangue. Mas é trabalho para se ver e admirar, desde que aceito como método de construção cinematográfica.

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