O Fim da Escuridão:


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Original: Edge of Darkness
País: EUA
Direção: Martin Campbell
Elenco: Mel Gibson, Ray Winstone e Bojana Novakovic.
Duração: 117 min.
Estréia: 29/01/2010
Ano: 2009


Para a "persona" Mel Gibson.


Autor: Leandro Cesar Caraça

Mel Gibson não aparecia em frente às telas de cinema desde uma pequena ponta não creditada em “Paparazzi”, em 2004, e a última vez em que encabeçou o elenco de uma produção foi em “Sinais” (M. Night Shyamalan, 2002). Dali em diante, o astro daria lugar ao cineasta polêmico de “A Paixão de Cristo” (2004) e “Apocalypto” (2006).

Quem sentisse falta da figura de Mel Gibson teria de se contentar com baixarias, como a sua prisão por dirigir embriagado e proferir frases anti-semitas, ou então o episódio envolvendo o seu pai, pastor e ferrenho defensor da idéia de que o Holocausto não passou de uma farsa. O recente divórcio de Gibson (casado por quase 20 anos e com uma prole de 7 filhos) foi o primeiro sinal de que “Mad Mel” estava preparando sua volta, para desespero dos seus detratores.

Primeiro com este thriller assinado por Martin Campbell - artesão competente, responsável por injetar mais fôlego na série 007 em duas ocasiões: “Cassino Royale” (2006) e “007 Contra Goldeneye” (1995), o primeiro e melhor momento de Pierce Brosnan como James Bond - depois com o novo filme dirigido por Jodie Foster, a comédia “The Beaver”. No final do ano será a vez de Gibson assumir novamente a cadeira de diretor com uma aventura sobre guerreiros vikings.

O Fim da Escuridão (Edge of Darkness) é inspirado em elogiada mini-série exibida pela televisão londrina nos anos 80, não por acaso também dirigida por Martin Campbell e que no Brasil ganhou o título de “No Limite das Trevas”. Gibson interpreta um veterano policial da cidade de Boston que testemunha a morte da própria filha em frente de casa.

Sua posterior investigação acaba revelando que a vítima estava a par de segredos industriais e conspirações militares, e coloca o oficial da lei em colisão com as mesmas forças responsáveis pela tragédia. Nesta cruzada de vingança onde vai bater de frente com figuras poderosas, haverá um único aliado, o misterioso personagem interpretado por Ray Winstone. Se a princípio ele parece jogar no lado do inimigo, suas ações o fazem tão imprevisível quanto o agente secreto feito por Donald Sutherland em “Os Três Dias do Condor” (Sidney Pollack, 1975).

O tema é perfeito para a persona de Mel Gibson, e as cenas de suspense e ação são muito bem conduzidas pelo diretor. Isso basta para colocar O Fim da Escuridão acima da média dos medíocres thrillers atuais. O que acaba por enfraquecer o conjunto, além das lacrimosas cenas em flashback envolvendo a falecida filha do policial, é a trama corrida, repleta de sobressaltos, típica de um material originário de uma série que é transposto para um único longa-metragem. Problemas à parte, O Fim da Escuridão é uma boa desculpa para ir ver Mel Gibson distribuir sopapos no cinema.

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