O Fada do Dente:


Fonte: [+] [-]
Original: Tooth Fairy
País: EUA
Direção: Michael Lembeck
Elenco: Dwayne Johnson, Ashley Judd, Julie Andrews e Stephen Merchant.
Duração: 101 min.
Estréia: 22/01/2010
Ano: 2009


Não dói muito.


Autor: Cid Nader

O Fada do Dente é típico exemplo de filme comercial. Tal afirmação normalmente resultaria grades discussões entre alguns companheiros de crítica - daí passaria-se a se discutir sobre rotulações, sobre o que é e se existe cinema de arte, sobre se o cinema norte-americano é somente comercial, se a Europa ou o Extremo Oriente são o que há de confiável para se ver sem sustos e com a mão no queixo em pose de reflexão... Na realidade, cinema comercial, creio, qualquer um gostaria de ser, no sentido de se poder sobreviver através do trabalho honesto dentro da arte. Na verdade, rotulações são simplistas como notas e avaliações por estrelinhas, mas, apesar de tudo, não dá para negar que alguns filmes e algumas empresas pensam na platéia cheia acima de tudo, e esse filme dirigido por Michael Lembeck é feito para atrair pessoas com vontade de rir e não pensar em hipótese alguma durante o tempo de projeção.

Bem, nesse sentido, a escolha de Lembeck é luva ajustadíssima e perfeita. Diretor de pregresso na função com trabalhos absolutamente dispensáveis, de carreira atrelada a filmes que não incitam ou provoquem, e que sejam, ao final, exemplo típico dos bons costumes e das boas tradições familiares ianques. O pior de tudo é que, cerceando-me e tentando me restringir ria por diversa vezes durante a sessão. Algumas situações são tão esdrúxulas - e dentre essas algumas, umas, com certeza imaginadas para parecerem mesmo esdrúxulas. De todo modo, sem querer ferir ou ofender ninguém, o trabalho é o amontoado máximo de clichês, que tentam fazer crer na boa índole das pessoas, na possibilidade da recuperação e blá blá blá.

Há o cara - o jogador de hóquei interpretado por Dwayne Johnson - que descrê de magias, quebra esperanças de crianças, evita relacionamento amoroso mais concreto, e ainda é meio mal caráter como jogador violento acima da média, num esporte que, sinceramente, não é para pessoas frágeis. Há as crianças que terão de ser conquistadas pois filhas de mãe separada sofrem cada uma com seus quinhões. Há a possibilidade "extra-comum" para que o "vilão humano" se torne um "bom humano" e por aí afora. De dentro da sucessão inacreditável de clichês - seria como se pegar um programa de computador com os melhores clichês da mídia, mudar as carinhas e nomes, utilizar boa porcentagem deles e fazer a transformação para cinema -, porém, como disse, alguns bons momentos de humor fazem da história e da aventura algo indolor: não dá para ficar com raiva como é comum nesse tipo de situação.

Algumas situações imaginadas de humor não tão infantil se fazem responsáveis por esses bons momentos quebrando a casca açucarada. Não há atuações destacáveis, não há imaginação no modo de confecção - só aquele excesso comum nesses casos referentes ao roteiro -, não há novidade, nem homenagem ou referência. Se fosse para dar palpite sobre ir ou não, pensaria na situação de quem pensa na hipótese e, se fosse o caso ainda de clima de férias a pleno vapor, diria: assuma o risco., você não vai morrer, com certeza.

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