Plastic City - Cidade de Plástico:


Fonte: [+] [-]
Original: Dangkou
País: Brasil/China/Hong Kong/Japão
Direção: Yu Likwai.
Elenco: Anthony Wong Chau-Sang, Jô Odagiri, Tainá Müller, Jeff Chen e Milhem Cortaz.
Duração: 95 min.
Estréia: 22/01/2010
Ano: 2008


Ué?


Autor: Gabriel Carneiro.

Plastic City busca no Brasil a criminalidade que não a da favela e a do tráfico de drogas para mostrar uma diferente realidade. Nesse pano de fundo, recheiam o filme de cenas de ação, visual artificializado, trechos desconexos, planos longos – carecendo justamente de propósito, e ficando no meio termo entre um filme-retrato e um filme de ação.

Co-produção entre Brasil, China, Hong Kong e Japão, Plastic City se passa no bairro paulistano da Liberdade, tradicional reduto oriental. Dirigido por Yu Lik-wai (nascido em Hong Kong), o filme aborda o reino da pirataria na cidade de São Paulo. Focado num grupo de chineses liderado por Yoda e por seu filho adotivo, Kirin, o longa mostra as traições do meio e a dificuldade de se manter no poder quando no crime. Cada nova pessoa, uma nova forma de lhe levarem à cadeia, de tomarem seu reino.

Por mais que o desvencilhamento entre crime e favela no cenário brasileiro seja favorável – esse crime do submundo que ninguém vê -, Plastic City parece fadado ao fracasso. Em especial pela estética: durante os confrontos, as cenas são frenéticas, com cores amareladas, muitos efeitos digitais, e uma plasticidade artificial – quase como, ao não conseguir capturar a beleza daquele cenário sujo e feio, estilizasse-o para que se tornasse mais palatável. O visual carregado de informações ecoa nas produções americanas policiais recentes – em alguns momentos, lembra “Traffic” (2000) -, ou mesmo nas produções de ação orientais, um esforço inútil, levando-se em conta o teor da história. Ao que parece, a artimanha iconográfica estaria presente apenas para lhe conferir maior status artístico.

Quanto ao desenvolvimento narrativo propriamente dito, Plastic City não se sustenta por não saber ir além da premissa. O interesse que o bairro desperta nos espectadores, especialmente brasileiros, parece imediato, afinal, vemos a criminalidade onde ninguém mais mostra; a pirataria hoje só é retratada em relação a filmes e músicas, mas não a artefatos de vestuário e afins. Ao mostrar o rei do crime, com suas lojinhas ao melhor estilo da rua 25 de Março e da Galeria Pajé, um chinês, que fala porcamente o português – em dublagens ruins, fica-se o registro -, e que tem um lema que se assemelha a ‘vendo o falso, ganho o verdadeiro’, vê-se um plot de vingança e ação, digno dos filmes orientais: e que poderia até explorar a vertente das artes marciais. Porém, a ação está lá apenas para preencher o tempo, em fracas cenas de luta, com trocas de tiros. A personagem de Milhem Cortaz, por exemplo, que faz um mercenário pago para matar Kirin, é completamente desnecessária. Mal aparece no longa, com maquiagem carregada, numa cena plasticamente feia de luta – uma espécie de confronto final. Tainá Muller, que despontou no cinema com o filme “Cão sem Dono”, é muito mal aproveitada, fazendo uma prostituta que vive conflitos entre largar a profissão e conseguir se manter.

Em determinado momento, o tédio em relação à história toma, muito possivelmente, o espectador – não há evolução, apenas repetições mascaradas de novos conflitos, com a mesma essência. Se, talvez, tivesse se decidido entre a ação ou a questão social, poderia ter sido melhor, mais centrado. Ao final, um momento contemplativo, quase avaliando de forma lúdica o que passou. A platéia só parece dizer uma coisa: ué?

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