Um Segredo em Família:


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Original: Un Secret
País: França
Direção: Claude Miller
Elenco: Cécile De France, Patrick Bruel, Ludivine Sagnier, Julie Depardieu, Mathieu Amalric, Ludivine Sagnier.
Duração: 105 min.
Estréia: 22/01/2010
Ano: 2007


Um bom filme.


Autor: Cid Nader

A Segunda Grande Guerra parece continuar sendo uma grande pedida para que se ambientem filmes em seus meandros. Coisa que vem há décadas e que imaginava-se cessar num dado momento. À parte, é preciso lembrar ou reforçar que o assunto e, principalmente, a rememoração das tentativas de eliminação de etnias e povos por parte da Alemanha, então nazista, é um assunto que deveria continuar frequentando as mentes e ideias das pessoas, como modo de tentar imprimir em nossa carga genética ojeriza quanto a possíveis repetições. À parte, também, é bom perceber que alguns dos filmes que têm surgido mais recentemente referindo-se ao conflito têm vindo com pontos de observações inéditos ou maneira de retratamento que escapam da plastificação da Guerra através de imagens fortes e explosões.

Na realidade, é muito triste sair de uma sessão onde o assunto foi o tema do filem visto e ouvir pessoas dizendo que "não aguentam mais ver judeus em campos de concentração, tristeza, mortes, fome...". Triste mesmo saber que alguém priorize a constatação do cinema como algo que deva num certo momento parar de falar de assunto tão pungente,por conta de imaginá-lo como arte puramente visual e dinâmica. Creio, particularmente, na força da arte como a que deve privilegiar as imagens mesmo, mas creio também na necessidade humana do não esquecimento de fatos tão drásticos.

Claud Miller reforça algumas de minhas crenças e constatações nesse seu novo filme de 2007, Um Segredo em Família. Apesar de não ser dos diretores mais "confiáveis" no quesito bom cinema, apesar de esvaziar assuntos por vezes densos em troca de uma dinâmica estética e rasa, fiquei com a sensação de que nesse trabalho estava inspirado a mais do que sua média - se bem que não tenha concretizado uma obra-pima. O diretor reforça a possibilidade de se encontrar assuntos reais ainda de episódios da situação, e fala em seu filme de uma família surgida durante o conflito, mas com segredos consideráveis o suficiente para render uma boa história. Há aquele dispensável aviso de que o filem se baseia em fatos reais, logo no seu início - um aviso que normalmente faz com que alguns diretores abandonem a qualidade desejada num trabalho cinematográfico em favor da "verdade a ser dita". Miller não se acomodou nesse sentido e, junto com uma divisão imaginária da história contada, elaborou bons momentos pictóricos para emoldurar a trama.

O filme incia no fim dos 50, revelando um frágil garoto, François Grimbert, meio rejeitado pelo pai atlético, Maxime (interpretado por um Ludivine Sagnier um tanto envelhecido para algumas fases da vida dor personagem), e protegido pela mãe, Tania (a esplendorosa e bela Cécile de France - aliás, Miller tem muito bom gosto pata escolher as atrizes em seus filmes). Corta para os 70 ou 80, onde vemos o frágil garoto já como um psicólogo adulto (aí sob a interpretação de Mathieu Amalric), e com a história revelando seu pai como um solitário velho abandonado que pranteia o cão morto, e retorna a momentos anteriores ao início da Guerra, onde se reforça alguns teimosias de pessoas que acreditavam que nada de mais drástico iria precipitar.

O fato relatado tem seu pé na verdade e é "quase inédito" - daí a dizer que o assunto não está encerrado e muitas coisas podem servir de mote para refilmagens -, quando, ao final, revela a preferência a seus animais de estimação do ex-presidente Pierre Laval, aos exterminados e perseguidos judeus na ocupação de Paris. O fato histórico é um dos achados do filme, que junta-se a outra boa opção do diretor que é a de escapar do fascínio de bombas e sangue - algo comum e que causa parte das reações estranhas de pessoas que "não aguentam mais" - para construir um filme de boa fluidez narrativa, com, privilégio evidente a boas captações de paisagens e locais. A opção pela maneira com que fatos decisivos e não tão antigos passam a ser revelados a François é meio acomodada e de sequência acomodada também. Mas no todo, no pacote montado, resta um filme a ser visto - por seus dados e por suas opções estéticas.

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