À Moda da Casa:


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Original: Fuera de Carta
País: Espanha
Direção: Nacho G. Velilla.
Elenco: avier Camara, Lola Duena, Benjamín Vicuña.
Duração: 111 min.
Estréia: 15/01/2010
Ano: 2008


Com medo de errar...


Autor: Cid Nader

Logo nos primeiros movimentos de personagens absolutamente caricatos correndo pela tela, atuando execuções mecânicas bastante falsas e distantes do que seria o correto numa cozinha de restaurante que almeja buscar sua primeira estrela no Guia Michellin, calafrios me acometeram. Percebi, intui, que uma enorme bobajada estava iniciando para tomar mais de 100 preciosos minutos de minha vida. Restaurante de primeira, onde a urgência se faz palavra de ordem e onde a tensão deveria reinar eletricamente forte – o que, por vezes, diga-se de passagem, é fator necessário para que coisas andem a contento em algumas instituições -, mas que deixava transparecer particularidades acima do clima imaginado: a insegurança de uma assistente de cozinha grávida, a estupidez de um cara meio perdido na vida e no seu tempo (já que agia como um adolescente rebelde/punk bastante tardio), e a homossexualidade extremamente latente do manda-chuva (dono do restaurante e chef de cuisine), Maxi, afluindo sobre tudo.

Percebe-se intenções e anseios logo nos primeiros instantes de um filme: para quem é pouco mais atento dos meandros da confecção cinematográfica. Nem é preciso ser metido a entendido, bastando ser frequentador razoável das salas escuras para se notar as intenções de alguns diretores menos pretensiosos – principalmente os insipientes na área de direção. Nacho G. Velilla realmente não resolveu fazer de seu longa de estreia no cinema (é produtor e já dirigiu vários trabalhos para a televisão) algo mais complexo e revolucionário. Não quis marcar com novidade ou ousadia esse seu início. E a partir de um dado momento – que não é tão distante do início constrangedor – passaram-me os calafrios e entraram em atuação um, “modo relaxado”.

Todo esse “dado momento” ganha força enquanto o filme avança e passa a se perceber que a ideia principal do diretor é a do entretenimento que abrace as facetas mais comuns à arte: humor fugaz sobre tema já não tão carregado de “não me toques”, que é o assumir da homossexualidade; aproximação e reconhecimento familiar após breves intempéries que, sabe-se, serão superadas no final; dramas de matiz acinzentada (não se sofre demais com o jogador que se revela outra coisa no quesito sexualidade em num mundo complexo como o do futebol, não se vai às raias do desespero quando do nunca concretizado encontro do par perfeito pela moça meio tarada mas com “interioridades casadoiras”, não há conflitos irreconciliáveis com os velhos pais de Maxi – Jávier Cámara -, que surgem num dado momento com características de humor à Almodóvar, com pai que faz piadas homofóbicas e mãe meio matusquela...).

Esse “dado momento”, também, faz perceber que algumas atuações são bem boas e adequadas às exigências; faz entender que as opções por mecanismos de construção comuns só são comuns mesmo, mas não são executados com falta de capricho; e que as piadas arranjadas, as gags, alguns momentos de humor físico também, e outros de boas e ligeiras sacadas, resultaram um filme que nasceu conformado e receosos do erro grande, e erra somente em pequenas escalas. Quero dizer: não fará falta, mas também não faz mal nenhum. Só é necessário reforçar que há que se ser forte para passar a sua fase inicial. Depois: curtir.

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