SOLDADO DE DEUS:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: Brasil
Direção: Sérgio Sanz
Elenco: Documentário
Duração: 90
Estréia: 25/11/2005
Ano: 2005


Não usar seu santo nome em vão


Autor: Cid Nader

O visual, a plástica, as feições dos seres humanos, em alguns momentos, por si só, denunciam a época em que viveram os fotografados, os visualizados - abdicando do vestuário, que seria modo mais imediato e facilitador para reconhecimento. As figuras das décadas de 1920 e 1930, com seus cortes de cabelo, modelos de bigode, mas, principalmente, seu olhar incisivo, curioso, perscrutador, que muitas vezes conhecemos por fotos ou filmes que exaltavam a pujança da nova grande metrópole que se apresentava, São Paulo, ou falavam das belezas naturais, gingado e malemolência como símbolos da capital federal, Rio de Janeiro. Tais seres sempre despertaram em mim um misto de curiosidade, de saudosismo - mesmo que de tempos não vividos por mim - e dúvidas quanto ao seu comportamento político, num período da efervescente da humanidade, entre as duas grandes guerras, com um razoavelmente novo período comunista que se instalava em boa parte da Europa e da Ásia, e o nascimento do fascismo e do nazismo (movimentos ultra-nacionalistas de extrema direita).

No Brasil, década de 1930, um movimento conservador - inspirado justamente no nazismo e no fascismo - organizou-se sob a denominação de "Integralismo", tendo como principal idealizador e guru um "caipira" paulista, Plínio Salgado, e que, além da aversão à "globalização assustadora" do socialismo, tinha forte cunho religioso, usando o catolicismo conservador como maneira de aglutinar, "sob a proteção divina", seres que imaginavam manifestações de esquerda como verdadeiras intervenções do diabo.

Esse documentário, "Soldado de Deus", organizado e dirigido por Sérgio Sanz, não tem o dom da criatividade como maior arma de sedução, em sua construção. Usa depoimentos de cientistas políticos, estudiosos e alguns remanescentes da época, "filmetes" com as imagens de Hitler e Mussollini ou de alguns momentos de manifestações integralistas - passeatas e reuniões -, dando ênfase à imagem pitoresca de Plínio Salgado e sua cara de anos 30. Dentre os remanescentes da época dá destaque a Jarbas Passarinho, político de direita, presidente da "ARENA" - partido do governo militar que ascendeu ao poder com o golpe de 1964.

O diretor ganha pontos pelo conteúdo elucidativo e a maneira didática com que apresenta o movimento aos mais desavisados. Impregna o trabalho com um certo "parti pris" esquerdista - razoavelmente compreensível - que não chega a ser maniqueísta, justamente pelo fato de não mentir na apresentação histórica. Também pelo espaço que concede aos estudiosos do tema.

Se você nunca ouviu falar dos "camisas verdes" ou "camisas pardas", "sigma", "ALN", "restaurante popular", "Anauê" ou "galinhas verdes", taí a chance.
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