Contatos de 4º Grau :


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Original: The Fourth Kind
País: EUA
Direção: Olatunde Osunsanmi.
Elenco: Milla Jovovich, Elias Koteas, Will Patton, Corey Johnson, Enzo Cilenti, Hakeem Kae-Kazim.
Duração: 98 min.
Estréia: 01/01/2010
Ano: 2009


Bombado por marketing paralelo.


Autor: Cid Nader.

Se é possível criar casos paralelos ao filme que se pretende ver assistido por milhões de pessoas, que se o faça. Artimanhas de mídia e “falcatruação” de explicações são recursos tão questionáveis – e decisivos – quanto ataques de “porraloquice” ou discursos externos agitados e contestadores proferidos por alguns diretores, fora da tela: são métodos, quase sempre, que funcionam como muletas a eventos que não se sustentariam por força de suas próprias pernas. Nem é para se ficar muito emburrado e ofendido quando situações do gênero são criadas dentro do elemento que tais situações tentam fortalecer – o primeiro caso mais específico e de retumbante sucesso teria acontecido em “A Bruxa de Blair”, ao qual milhares de pessoas acorreram, e do qual saíram, sem saber que tudo era fruto do embuste: embuste permitido às artes, já que elas são embustes de imaginação e realização de desejos pouco factíveis na rigidez do cotidiano. Muito pior é ver alguns diretores criando sempre apêndices às suas obras através de discursos e xingamentos oportunistas, com jeito de ideal “anti-sociedade comportada e conformada”, com jeito de altruísmo encarapuçado de heroísmo quixotesco, mas com um fundo real de propaganda do tipo, “meu filme tem de ser visto e conhecido de qualquer maneira”.

Por um pouco de pesquisa e leitura, fica-se sabendo que Contatos de 4º Grau foi criticado e questionado por não ter alertado, nem sequer nas letrinhas pequenas, que toda aquela enrolação inicial, com a atriz Mila Jovovich se apresentando às lentes como ela mesma, e de que tudo que se veria à frente era baseado em fatos verdadeiros, com registros filmados e gravados à época dos acontecimentos, não passava de preâmbulos ficcionais. Fica-se sabendo que a personagem que ela caracterizou – a psicóloga abduzida por extraterrestres -, Dra. Abigail Elizabeth Tyler, na realidade nunca existiu, e que até sites e informações falsas foram implantadas na Internet (oráculo dos folgados, cultura ao toque de um botão) com intuito de emprestar mais musculatura ao filme – que não é bom, mas também não é ruim. Até os habitantes da cidade de “Nome” (bom nome para brincadeirinhas e trocadilhos por aqui) andaram reclamando das falcatruas.

Chatice das pessoas. Se um truque foi tentado, é óbvio que os idealizadores não o imaginavam como mentira eterna e acorbetadora de crimes contra a humanidade: afinal, a própria Internet já é antídoto suficiente para si mesma e para os fatos relatados na telona, e está aí para desmentir quem imaginou ser desmentido mesmo, com o ganho da superexposição, da mídia a mais, da propaganda, da imaginável curiosidade pública diante de tantas informações e gritaria - dos tempos dos escritos em papel: “falem bem ou falem mal, desde que falem de mim”.

Até porque, se não fosse por tal estardalhaço, o filme mesmo, esse que foi dirigido por Olatunde Osunsanmi, realmente não mereceria muitas linhas a mais do que mereceria um filme mediano de terror. Daqueles que causam alguns bons sustos aos mais incautos e distraídos – pessoas que pulam e chacoalham a fileira mesmo quando um gato mia de sopetão -, que inferem aos olhos suposições de imagens sem certezas e clarezas bem delineadas às córneas, que aumentam o som repentinamente aqui ou ali, mas que não se sustentam como obras de cinema bem filmadas de verdade. Sim, há excesso de imaginação na história e no modo de edição dela: o diretor criou dois mundos paralelos em seu filme, contrapondo às imagens ficcionais de depoimentos em análise, e num programa de uma TV Universitária, as “imagens originais” filmadas ao “tempo real” do acontecido. Utiliza fortemente o poder da edição, e esse é um ponto positivo de seu filme. Sim, há sustos esporádicos e clima de tensão em alguns momentos. Também há um “clima Alaska” (filmado em algum país do leste europeu) bastante bem apropriado às coisas ligadas a atividades de inteligências superiores sobre nós coitados. Como se vê – mentiras e invenções à parte -, ferramentas do gênero utilizadas adequadamente para quem queria concretizar um trabalho no segmento.

Mas há, também, o grotesco da inadequação humana do policial que não quer crer no que seus olhos quase vêem e no que seus ouvidos ouvem, e esse truque é bem fraquinho como maneira de criar a oposição pé no chão ao que sucede na cidadezinha. Há as vozes gravadas ao “modo sussurro grosso” que mistura teismo à possibilidade de vidas em outros planetas (o filme cria controvérsias sobre a “veracidade” das arrogação feita por essas vozes), como um outro “truquezinho mequetréfi”. Duas situações – que parecem de pouca monta quando comparadas às de boa execução em filmes de terror – que acabam por deixar bem evidente o quanto Olatunde Osunsanmi precisou de “bomba” para dar sustentação às pernas debilitadas e pouco musculosas de Contatos de 4º Grau. Gostando ou não, só não se faça da pirotecnia imaginada inicialmente um modo de gritaria em defesa da honra do consumidor.

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