Encontro de Casais:


Fonte: [+] [-]
Original: Couples Retreat
País: EUA
Direção: Peter Billingsley
Elenco: Vince Vaughn, Jason Bateman, Faizon Love
Duração: 114 min.
Estréia: 25/12/2009
Ano: 2009


Paisagem basta?


Autor: Cid Nader

Encontro de Casais – Paisagem basta? Contar com a grife “Vince Vaughn” em algum filme nos últimos anos significa automaticamente imaginar que uma comédia de erros, de posições politicamente incorretas, de humor escrachado e pouco importado com os bons costumes e valores tradicionais da nação EUA estará para ser presenciada. Afinal, o grandão participou os trabalhos de humor ferino mais valorizados dos últimos tempos: “Penetras Bons de Bico”, “Até que o casamento Nos Separe”, e mais um tanto de outras. Saber que ele desta vez assumiu publicamente participação maior nesse Encontro de Casais, respondendo pela autoralidade de textos e ideias oficialmente, lá nos créditos – mesmo quando se sabe que o atro costuma participar ativamente nesse sentido em outros filmes de sua carreira – poe significar pontoa positivos a mais para quem busca em seu modo de trabalho um refresco anti-establishment, algo que caminhe na contra-mão da chatice institucional comum a trechos grandes da arte no país ianque.

Certo? Há controvérsias. Alguns dos filmes do ator e de sua turma bons, outros nem tanto (como é o caso desse, que beira ser ruim mesmo), na realidade, apesar de se alimentarem do mote “controvérsia social local de lá de cima”, acabam sempre (e sempre mesmo) descambando (retornando), para o ventre do lar perfeito, para a união indissolúvel, para a conformação perfeita dos lares do pais (aliás, signos de conforto e segurança celular ante as possíveis más intenções externas: podem ser alienígenas, comunistas, árabes santos em suas crenças, ou volúveis e carnais latinos). Vince Vaughn alimenta fortemente o ideal americano da “família acima de tudo”.

Tanto nessa quanto em outras produções, um monte de situações non-sénse são imaginadas, aditivadas por piadas chulas sexistas (racistas, homofóbicas...) e alguns toques picantes de insinuação sexual (poucos atentados que revelam partes do físico a mais do que o comum/permitido).Tanto nesse quanto em outros filmes, o problema, é que no final, nos últimos instantes, as coisas amainam, as relações primeiras se re-estabelecem mais fortes do que nunca, ou o casamento surge como o ideal (aquele que está lá no DNA da nação) finalmente alcançado e concretizado. Na realidade, quase todas (para não generalizar dizendo que todas, já que não estou com vontade de buscar todas as produções do quilate), utilizam o “humor extremo”, mas pensando no final feliz à moda da casa. São produções, no fundo, no fundo, caretas.

Talvez a falha seja de Peter Billingsley, ator, pela segunda vez dirigindo um trabalho, mas Encontro de Casais é fraco durante todo o seu trajeto, não conseguindo nem mesmo chegar perto do humor dos “filmes irmãos”, que fazem com que tais obras sejam respeitáveis e admiráveis, mesmo quando se sabe que são “humor por humor”, e não por idealismo de vida, de regra a ser seguida verdadeiramente (já que no final sempre voltarão para casa). As paisagens? Ok. Bonitas: águas translúcidas, hotel maravilhoso... Prefiro viajar para tal prazer. Jean Renno? Mal aproveitado ao máximo, fazendo perceber como nunca que canastrice só funciona quando bem dirigida. Enfim: uma bobagem que denuncia suas intenções sem conseguir enganar por nem um tempinho.

Leia também: