Planeta 51:


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Original: Planet 51
País: Espnaha/Inglaterra
Direção: Jorge Blanco
Elenco: Animação
Duração: 91 min.
Estréia: 27/11/2009
Ano: 2009


Diversão boa e sem encrencas.


Autor: Cid Nader

O grande barato de Planeta 51 reside na inversão da perspectiva tradicional que motiva os filmes de ficção-científica por todos os tempos. A razão de ser de tal vertente no mundo do cinema – em outras artes, também, mas no cinema de modo decisivo e até como grandes opções metafóricas pata se discutir sistemas políticos, razões teológicas e afins – ter sido sempre extremamente explorada (quantitativamente, inclusive) é o eterno conflito interior humano (repudio/atração) à busca do que poderia ser uma razão plausível de sua existência. Sem querer ir longe demais em elucubrações sobre o assunto – que poderia ser transferido por outros desvios em busca das procuras por deuses e religiões possíveis para tal -, por estar tratando aqui de uma animação sem mais intenções a mais do que a de divertir platéias de modo cômico, justo dizer que o ramo das ficções sempre foi um forte caminho de descarrego das questões humanas mais intrínsecas, pelo olhar, pela perspectiva, dos humanos, particularmente: mesmo nos filmes de viés mais “libertário” e cósmico – onde se tenta enxergar o humano como um destruidor e pouco sensível gênero, ante o evidente avanço tecnológico, e superioridade intelectual dos que conseguem cruzar o universo para desembarcar por aqui -, o nosso ponto de vista é o centro da conclusão e dos caminhos que serão explicitados e transformados em filmes.

Bem, nessa animação de estranha combinação associativa entre Espanha e Reino Unido – um de grande tradição no mundo das animações (o Reino Unido) e o outro com fraca representação internacional no assunto -, o mote invertido, que coloca o ser humano como o invasor a ser temido, como o “marciano perigoso” das nossas produções que se fortaleceram e compareceram às salas de exibição fortemente após a Segunda Grande Guerra (principalmente), imaginado pelos diretores, Jorge Blanco e Marcos Martinez, é a grande sacada. Os desenhos em si (3D na veia, mas sem a intenção de fazer da demonstração de domínio da técnica a grande estrela da produção) são estanhos e desinteressantes num primeiro momento. O passar do tempo e a compreensão de que as estrelas centrais, os bonzinhos da vez, os invadidos, não somos nós, mas sim os habitantes do pequeno planeta solto na imensidão universal, faz com que o estilo dos “bonecos”, dos “terráqueos” de lá, acabe por ir se infiltrando em nossas retinas, ganhando simpatia o costume com suas companhias – as figuras, que estão longe de ser grandes exemplos de boa configuração estética, acabam “pegando”.

O filme, imagina o planeta de lá povoado por uma civilização que estaria em nossos tempos “cinquentistas”: as lanchonetes com cara de EUA pós-guerra, os trejeitos, as músicas, as salas de cinema, os veículos e toda aquela despretensão quanto a problemas e perigos locais – passando-se a imaginar, aí, o grande inimigo a ser temido como o que viria de fora do seu mundo, no caso, os amedrontadores “terráqueos” (imaginados pela ficção de lá como figuras de aspecto tão estranho quanto imaginamos marcianos) -, uma fuga compreensível, vigendo. Inverte-se o papel e os pontos de vista, o que por si só já seria suficiente para angariar curiosidade. Acontece que a animação intromete realmente dois tipos de alienígenas na história – dois modelos de terráqueos –, se aproveitando da possibilidade imaginada para guinar de modo bastante competente na direção do filme de grande humor (bem divertido) e boas sacadas.

Planeta 51 até acaba por discutir essas ingerências humanas nos destinos do universo. Até fala de perigos reais e de incompreensões a serem tratadas, mas seu grande trunfo está na ingenuidade da premissa, na idéia evidente de trabalho oferecido aos petiz: ingenuidade e “infantilidade” que já vem prenunciada pelo estilo dos “desenhos” escolhidos, e que perpetuam pelas opções narrativas simples e dinâmicas. Boa diversão, originada – principalmente, percebendo-se isso nos nomes latinos dos créditos, ao final – de um país não muito reconhecido na área.
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