500 Dias Com Ela:


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Original: 500 Days of Summer
País: EUA
Direção: Marc Webb
Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Zooey Deschanel e Geoffrey Arend.
Duração: 95 min.
Estréia: 06/11/2009
Ano: 2009




Autor: Laura Cánepa

Esperado como uma comédia romântica que poderia trazer um novo fôlego a um gênero hoje desgastado pela caretice de algumas obras e pelo mau gosto de outras, 500 Dias Com Ela, de Marc Webb, é, no máximo, um filme simpático.

Estrelado por uma casal muito fofo, mas com recursos dramáticos limitados, o filme faz uma divertida investigação sobre as relações amorosas daqueles que cresceram nos anos 1980 e compartilham um certo repertório pop (usado, aliás, de maneira muito criativa).

Ocorre que, apesar das credenciais favoráveis, 500 Dias Com Ela não é assim tão diferente do que estamos acostumados a ver, e fica bem abaixo de obras como "Alta fidelidade" em termos de investigação sobre os sentimentos masculinos, que são o foco do filme. Certamente, é melhor do que idiotices como "Antes só do que mal casado" ou "O melhor amigo da noiva", mas não faz nenhuma revolução no gênero.

A história, contada em idas e vindas muito bem amarradas, traz um jovem (interpretado por Joseph Gordon-Levitt) sensível e meio tímido, apaixonado pela colega de escritório (a queridinha do momento Zooey Deschanel). Ele acaba conseguindo se relacionar com ela, mas sua amada nunca permite que o caso se transforme oficialmente em um namoro, que parece ser o grande sonho do rapaz. Então, enquanto ele tenta conquistar o coração da moça, ela comete as maiores crueldades com a maior cara de pau, mas nem ele e nem os amigos dele parecem suficientemente inteligentes para perceber o que está acontecendo, creditando os problemas à inexperiência amorosa do pobre coitado.

Sem dúvida, acaba sendo uma sessão de cinema divertida. É difícil alguém não se identificar com o atrapalhado herói, que vive os micos e as frustrações pelas quais todos os apaixonados já passaram. Algumas piadas também valem a pena, assim como a simpatia do elenco. Outro dado meritório é que o filme não cria nenhuma situação em que o herói precise cometer suicídio social para conquistar sua amada - praga vista até em bons filmes do gênero, como "Um lugar chamado Notting Hill".

Mas, além de não passar de uma boa uma sessão da tarde, 500 Dias Com Ela não consegue vencer a caretice em relação ao sexo, típica das comédias românticas recentes (e de quase todas elas, na verdade), e nem a alta desconfiança com relação às mulheres que o cinema contemporâneo não se cansa de reforçar. Assim, o discurso acaba sendo o de uma purgação do romantismo masculino, coisa que não acontece em filmes do gênero que contam com protagonistas do sexo feminino. E essa tendência dá um pouco o que pensar...

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