Os Fantasmas de Scroodge:


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Original: A Christmas Carol
País: EUA
Direção: Robert Zemeckis
Elenco: Animação.
Duração: 97 min.
Estréia: 06/11/2009
Ano: 2009


Jim Carrey e 3D salvam filme chato


Autor: Laura Cánepa

Se uma coisa pode ser dita sem maiores polêmicas sobre Robert Zemeckis é que, junto com George Lucas e James Cameron, trata-se de um dos cineastas hollywoodianos que mais se dedicou a pesquisas sobre o aproveitamento estético e narrativo dos avanços tecnológicos da indústria do cinema, sobretudo no que se refere à computação gráfica.

Nesse sentido, sua estréia num longa de animação feito especificamente para a tecnologia de exibição em 3D foi, pelo menos para mim, um dos eventos mais esperados do ano, ainda mais levando em consideração o fato de seu novo filme ser uma adaptação do clássico "Um conto de Natal", de Charles Dickens, escritor que teve enorme influência e foi um dos mais adaptados pelo cinema clássico hollywoodiano do qual Zemeckis é, ainda, um dos mais destacados representantes.

Mas a expectativa é a mãe de todas as decepções, e então devo admitir que, descontadas algumas tomadas espetaculares possibilitadas pelo 3D e a maleabilidade do astro Jim Carrey (que empresta seu rosto para vários papéis), Os fantasmas de Scrooge está longe de ser a melhor adaptação do conto, ficando atrás mesmo do irregular "Os fantasmas contra-atacam", clássico dos anos 1980 estrelado por Bill Murray e dirigido pelo super-versátil Richard Donner.

Os problemas de Os fantasmas de Scrooge são vários. Em primeiro lugar, o fato do filme levar por demais a sério o tom melodramático e moralista do livro de Dickens, o que já não se aceita de maneira tão tranqüila mais de um século depois. Prova de que é possível manter-se fiel ao livro sem posar de bobo é "Oliver Twist", de Polanski, que mesmo fazendo uma adaptação quase acadêmica de outra obra famosa de Dickens, consegue mostrar senso crítico e dar novas significações a cenas que não passariam da pieguice nas mãos de um diretor mais ingênuo.

O segundo problema é o fato da narrativa se deixar arrastar por tempo demais, dando espaço para personagens que não emocionam nem interessam. Chega a ser difícil de entender o motivo pelo qual atores do calibre de Colin Firth e Robin Wright Penn fazerem praticamente "pontas" num filme dessa importância, o que acaba reduzindo a força da animação de rostos reais apenas a Jim Carrey e, no máximo, Gary Oldman, que está simpaticíssimo.

Finalmente, também há uma preguiça evidente no desenvolvimento dos personagens e dos seus diálogos, o que acaba dando uma certa canseira, apenas compensada por vôos, quedas e alguns ângulos e movimentos de câmera realmente incríveis.

Para quem estiver morrendo de curiosidade, o filme vale pela parte final, quando tem início a aterradora seqüência do "fantasma do Natal futuro", que é uma das mais impressionantes do cinema de animação recente. Fora isso, não passa muito do “chalalá” de "Expresso polar', outra animação de Natal de Zemeckis, estrelada por Tom Hanks, que certamente não faz justiça ao humor e à diversão que o diretor da série "De Volta Para o Futuro" parecia dominar tão bem no começo de sua carreira.

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