O DESINFORMANTE:


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Original: The Informant!
País: EUA
Direção: Steven Soderbergh
Elenco: Matt Damon, Melanie Lynskey, Scott Bakula
Duração: 108 min.
Estréia: 16/10/2009
Ano: 2009


O Desinformante é um divertido estudo sobre a mitomania


Autor: Laura Cánepa

Não por acaso, os créditos iniciais de O Desinformante ("The Informant!", 2009), novo longa de Steven Sodebergh, avisam que o filme se baseia em fatos mais ou menos reais.

Afinal, se tudo começa como uma brincadeira cinematográfica sobre um executivo (Matt Damon) que decide auxilar o FBI em uma investigação sobre a formação de um cartel internacional de agroindústrias, o que acabamos assistindo é a um talentoso estudo sobre a mitomania, desvio de personalidade que faz com que algumas pessoas mintam sem parar e, com isso, acabem envolvendo um sem-número de incautos em uma enorme rede de confusões.

Os superlativos não estão aqui por acaso. Os fatos reais que inspiraram o filme (e seu precedente literário, escrito por Kurt Eichenwald, um dos produtores do longa) mobilizaram literalmente dezenas de pessoas e centenas de milhões de dólares simplesmente porque um executivo mitômano misturou seu discurso delirante a algumas verdades, acabando por denunciar um poderoso cartel internacional de indústrias alimentícias, mas não sem antes colocar seus patrões, o FBI, a imprensa e vários escritórios de advocacia em inacreditáveis sinucas jurídicas e contábeis.

A esperteza do filme é a de tratar tudo como uma comédia, tanto pelo tom de farsa assumido pelos atores (principalmente Damon e Melanie Lynksey, que interpreta sua esposa), quanto pelos comentários irônicos evidenciados na trilha-sonora, na montagem e na narração em voz over do protagonista. Com isso, em vez do drama e da tensão tão presentes em filmes sobre espionagem, o que sobressai é o absurdo de algumas situações, num tom que às vezes lembra o do recente "Queime depois de ler", de Joel e Ethan Cohen.

Por outro lado, também comparando-se O Desinformante a outros longas que abordaram temas parecidos, há que notar um certo estilo de "piloto automático" de Sodebergh. Afinal, apesar da escolha pela comédia maluca, o filme não tem nem de longe a agilidade de um longa como "O Informante", de Michael Mann, que, com todo o peso dramático que continha, conseguia uma leveza muito maior ao articular movimentações e locações incomuns. O filme de Sodebergh também fica a quilômetros da diversão pura de "Prenda-me se for capaz", de Spielberg, com o qual chega a dialogar em alguns momentos.

Na verdade, é até divertido pensar o que um diretor mais inspirado teria feito com essa história. De qualquer forma, as risadas e o bom entretenimento estão garantidos - o que não é pouco quando se considera o que tem chegado de Hollywood para nossas telas nos últimos tempos.

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