TÁ CHOVENDO HAMBURGER:


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Original: Cloudy with a Chance of Meatballs
País: EUA
Direção: Phil Lord, Chris Miller
Elenco: Animação
Duração: 95 min.
Estréia: 02/10/2009
Ano: 2009


Só para crianças


Autor: Laura Cánepa.

Recentemente, em palestra proferida na Universidade Anhembi Morumbi, o cineasta gaúcho Jorge Furtado declarou que tem evitado o cinema holywoodiano por julgá-lo infantil demais - exceto, justamente, no caso das animações infantis, muitas delas verdadeiras obras-primas que dialogam com diferentes faixas de público.

Assim como Furtado, não são poucos os cinéfilos que têm acompanhado o cinema de animação de Hollywood (sobretudo os filmes da Pixar) com muito mais interesse do que as super-produções de ação ou as comédias românticas grosseiras que têm chegado aos nossos cinemas.

Certamente, porém, o cineasta gaúcho e seus companheiros cinéfilos, entre os quais me incluo, não têm em mente longas como Tá chovendo Hamburger ("Cloudy With a Chance of Meatballs", 2009), da Columbia Sony Pictures, quando se referem à inteligência e mesmo a uma certa "maturidade" do cinema de animação estadunidense. Afinal, nem mesmo a tecnologia de uma sala IMAX (na qual o filme está em cartaz, substituindo, infelizmente, o espetacular "Up - Altas Aventuras") faz valer o programa para quem tiver mais de oito anos de idade.

Em primeiro lugar, porque o 3D, que está começando a dominar as animações, é usado de maneira bastante preguiçosa, impressionando apenas nos primeiros minutos. Segundo, porque o roteiro, inspirado no livro homônimo de Judi Barrett e Ron Barrett, é uma ode politicamente correta o consumo consciente (sobretudo de alimentos), que é muito bonitinha, mas feita de maneira tão óbvia e deslocadamente escatológica que soa como uma criação apressada.

Assim, a não ser por algumas boas piadas com personagens secundários, o que se vê é um desenho moralista e previsível com um discurso engajado que parece ter como maior objetivo disfarçar a ausência de uma proposta estética mais sofisticada, ou pelo menos mais engraçada. Então, recomenda-se só para quem quiser entreter crianças pequenas por cerca de uma hora e meia e depois aproveitar para conversar sobre o consumismo e a gula.

No meio de uma obra tão singela, porém, vale lembrar uma atitude "política" curiosa dos realizadores de Tá chovendo Hamburger: nos créditos iniciais, o longa é creditado, nestes termos, "a um monte de gente", em vez de a um realizador em particular (no caso, dois: Phil Lord e Chris Miller), que só são mencionados no final do filme, ao lado de todos os seus colegas. Com isso, aparentemente, os animadores da Sony querem se opor à política "autoral" da Pixar, que parece mesmo um pouco boba em virtude do intenso trabalho de equipe nesse tipo e filme - e, de certo modo, em todo o cinema industrial hollywoodiano.

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