GAMER:


Fonte: [+] [-]
Original: Citizen Game
País: EUA
Direção: Mark Neveldine e Brian Taylor
Elenco: Alison Lohman, Gerald Butler e Logan Lerman
Duração: 95 min.
Estréia: 02/10/2009
Ano: 2009


"Infanto-juvenilidade"


Autor: Cid Nader

O quanto pode parecer infantil o mergulho a sério de alguns adultos no mundo dos jogos de computador – e isto é uma visão que pode facilmente ser compreendida como simplista e mistificadora, já que nem todos os jogos são infantis ou gratuitamente violentos, e nem todos os adultos que levam tal prática a sério tem cérebro diminutos, obviamente -, deve ser compreendido como extremamente infantilizado (e aí sem questionamentos que me façam perceber a mim mesmo como analista simplista e mistificador) no ideal embutido no cerne das questões evocadas no gratuitamente violento Gamer, que agora invade as telas brasileiras.

Violência gratuita no cinema até deveria ser contestada e criticada negativamente, não fossem alguns exemplos de confecção irrepreensível que se instalaram como ícones na arte, fazendo da violência um suporte para a elaboração estética. Infantilidade travestida de assunto sério, de discussão sobre o futuro da humanidade, por exemplo, como pretendem bobamente os diretores Mark Neveldine, Brian Taylor neste seu mais recente rebento, já é coisa que não consegue desculpas tão facilmente e impede boas vontades, apreciações estéticas ou afins.

Gamer e seus diretores tentam beber de águas já derramadas na história do cinema. Seu clima futurista catastrófico – principalmente no que concerne ao destino humano, da espécie como a eleita, como exemplo de superioridade por alguns óbvios benefícios físicos em relação às outras – tende a resgatar um tanto de “Blade Runner”, outro tanto de “O Exterminador do Futuro”, ou até “Robocop” (e isto pode ser constatado para quem se aventurar no filme, absolutamente segmentado, destacado), no quesito “o que estes humanos estão pensando quando brincam de Deus”; ou algo de “Videodrome” ou “Viagens Alucinantes” nos quesitos “manipulação do cérebro” e “estética alucinada”. Mas o que eles conseguem entregar, na realidade, é uma bobagem rocambolesca e pretensiosamente infantil (vá lá: vou mudar para juvenil).

Há a idéia da manipulação de mentes dentro de um jogo que é jogado à distância por pessoas “comuns” e de bem com a sociedade – mentes de condenados (criminosos, pela justiça) à morte que teriam o bônus de se verem livres do inferno, a partir do momento em que se vissem vencedores numa grande sequencia de violência e assassinatos consentidos, ou de pessoas que por necessidades de sobrevivência emprestam seus corpos e consciência para outros jogos, em troco de sobrevivência ou sabe-se lá o por quê -, tendo como consequencia a discussão da origem disto e a participação de “pessoas do bem”: a idéia de ver no idealizador um monstro típico das falcatruas futuristas, que encarnaria me si todos os males e insanidades praticados pelo ser humano num geral, e alvo preferido da vingança idealizada (no caso aqui, do filme, da história) ideal e redentora; o modo como as participações dos protagonistas são inseridas na trama (meio moderninho, sem linearidade, “pra fazer pensar”); ou como as criações de ambiente e manipulação das lentes ao realizadas. Todo esse “idealizado” pelos “realizadores/produtores/gênios da raça”, afinal, é de tamanha cretinice juvenil e falta de ambição ou estofo, que todo e qualquer comentário dirigido ao filme seria algum tipo de propaganda, para quem não deveria merecer uma linha.

Besteira das grandes de tão boba e infantil (melhor infantil, vá), digna de boicote, de uma boa cervejinha, ou de um bom futebol, em seu lugar.

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