TERROR NA ANTÁRTIDA:


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Original: Whiteout
País: EUA
Direção: Dominic Sena
Elenco: Kate Beckinsale, Gabriel Macht, Alex O’Loughlin e Tom Skerritt
Duração: 101 min.
Estréia: 02/10/2009
Ano: 2009


Ladeira abaixo


Autor: Laura Cánepa

Imagine que a equipe da série “Todo mundo em pânico” quisesse realizar um drama e, para isso, decidisse filmar um episódio da série CSI no meio da neve. É mais ou menos essa a impressão que temos ao assistir Terror na Antártida, dirigido por Dominic Sena (de “60 segundos” e “A Senha – Swordfish”) e estrelado por um elenco de terceira categoria, liderado por Kate Backinsale na pior atuação de sua vida, com participação preguiçosa de Tom Skerrit.

Produzido por Joel Silver, que tem em seu currículo as séries “Predador”, “Máquina Mortífera”, “Duro de Matar” e “Matrix”, o filme pode ser considerado um dos seus maiores tropeços, ao lado de "A Órfã”, “A Casa de Cera”, “Navio Fantasma” e outros péssimos filmes de mistério e horror realizados por uma de suas produtoras, a Dark Castle Entertainment.

O que parece chocante quando se observa as obras da Dark Castle é a desproporção entre o enorme orçamento gasto nas produções e a indigência constrangedora dos roteiros, mesmo quando estes são adaptações de bons filmes antigos ou de histórias em quadrinhos consagradas. Este último é o caso de Terror na Antártida, feito a partir da graphic novel “Whiteout – Morte no Gelo” (1998), de Greg Ricka e Steve Lieber.

A história se passa numa estação de pesquisa na Antártida (filmada em ótimas locações no Canadá), no começo do inverno, quando Carrie, uma agente do FBI que tem cara, corpo, figurino, penteado e performance de modelo internacional, é obrigada a investigar as mortes de geólogos que descobriram um avião russo caído na região nos anos 1950. A partir daí, ela terá que lidar com seus traumas (revelados em flashbacks indescritivelmente clichês) e também deverá testar a confiança que tem em seus colegas de “exílio” no fim do mundo – claro, sem nunca se despentear ou borrar a maquiagem, mesmo quando tem dois de seus dedos amputados quase sem anestesia.

Exceto pela boa seqüência do acidente aéreo que abre o filme, o que se vê em “Terror na Antártida” é uma grande confusão de roteiro e direção, com muita tempestade de neve para disfarçar a incompetência na decupagem das cenas de ação, diálogos dignos de “Corra que a Polícia Vem Aí” e emulações da série CSI que chegam a dar pena da equipe do saudoso Carl Grissom. Obra não apenas dispensável, mas francamente picareta.

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