QUANTO DURA O AMOR?:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: Brasil
Direção: Roberto Moreira
Elenco: Silvia Lourenço, Danni Carlos, Paulo Vilhena, Maria Clara Spinelli, Gustavo Machado, Fábio Herford
Duração: 83 min.
Estréia: 02/10/2009
Ano: 2009


Leve demais.


Autor: Cesar Zamberlan

Quem esperava algo próximo a “Contra Todos” quebrou a cara. O novo filme de Roberto Moreira tem outro tom e é radicalmente oposto ao seu filme de estréia nas suas opções narrativas. ”Quanto dura o amor?” é bem mais pop, tem Radiohead na trilha, e outro ritmo, muito mais leve, muito mais moderado no seu andamento e nos temas que aborda. Um filme de planos longos e muito mais centrado na dramaturgia do que na montagem.

Com uma roupagem moderna, ”Quanto dura o amor?” lembra um pouco, pelo seu tema, por ver a cidade de cima, a minissérie “Alice” da HBO. A captação em digital revela uma fotografia bem interessante a cargo de Marcelo Trotta, explorando as até en tão pouco conhecidas possibilidades de uso da câmera Red cuja textura da imagem nada deve à película.

O ponto de partida do filme é a viagem de Marina (Silvia Lourenço) que sai de Paulínia – o filme tem repasse financeira do Pólo de Cinema da cidade paulista - para tentar a sorte em São Paulo. Na capital, ela fica hospedada no apartamento de uma amiga do namorado que fica quase na esquina da Avenida Paulista com a Consolação. A partir daí, e das descobertas de Marina, Roberto Moreira constrói um multiplot com três núcleos dramáticos muito bem construídos, tratando do amor, sua complexidade e finitude, mas nada muito cabeça, longe disso.

Outra diferença de “Contra Todos” é que neste filme, a cidade deixa de ser um pólo de tensões para os personagens, e passa a ser apenas cenário, vista sempre de cima, suavizada, neutra. A cidade que Marina descobre está longe de ser a cidade opressora, como a periferia de “Contra Todos”, ou como a capital paulista costuma ser retratada quando se aborda a chegada de imigrantes. O registro da personagem neste filme está muito mais ligado ao fascínio pelo novo do que ao enfrentamento do caos.

E sob essa moldura, Moreira constrói um quadro com personagens muito verossímeis na sua composição. Numa coletiva a imprensa, ele falou que cortou muitos personagens e seqüência para achar o filme. O que sobrou da tesoura acabou resultando numa trama muito bem costurada e resolvida.

Delicado ao tratar de questões polêmicas – não vem ao caso entregá-las aqui ao leitor, o que tiraria boa parte do interesse do filme -, Moreira tem o mérito de dividir sua obra com atores e equipes buscando com eles soluções dramáticas que fujam das soluções óbvias ou mais fáceis. Esse trabalho col etivo acaba resultando num trabalho bastante afinado e coeso dos atores e num resultado final bastante simpático.

Mas se o filme flui com bastante naturalidade, é preciso dizer que com o passar do tempo, a sensação que fica é que o filme vai perdendo a força, sumindo da retina e, justamente pela sua leveza, tornando-se mais volátil que parecia ser ao final da projeção.

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