DOMINO - A CAÇADORA DE RECOMPENSAS:


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Original: Domino
País: EUA
Direção: Tony Scott
Elenco: Keira Knightley, Mickey Rourke, Lucy Liu, Edgar Ramirez, Riz Abbasi, Delroy Lindo, Mo'Nique Imes-Jackson, Joe Nunez, Macy Gray, Shondrella Avery, Dabney Coleman, Peter Jacobson e Kel O'Neill.
Duração: 127
Estréia: 18/11/2005
Ano: 2005


"Domino - A Caçadora de Recompensas" é nonsense sem ironia


Autor: Laura Cánepa

De uma coisa o filme "Domino - A Caçadora de Recompensas" não pode ser acusado: de ter um trailer enganador. Para o bem e para o mal, aquilo que o filme prometeu ao longo de sua divulgação foi entregue. A aventura improvável de três "foras-da-lei a serviço da lei" contada em ritmo frenético, com luz estourada e diálogos pretensamente descolados está lá, ao longo de 127 minutos de projeção, sem interrupções.

Quando assisti ao trailer pela primeira vez, há uns dois meses, duvidei de que tal façanha fosse possível, que algum diretor fosse capaz de filmar um longa metragem naquele ritmo sem prejudicar o entendimento de uma história. Ao ver o nome de Tony Scott assinando a fita, porém, resolvi conferir. Apesar de não se tratar de um dos melhores diretores norte-americanos, o irmão de Ridley Scott tem obras marcantes no currículo, entre elas "Fome de Viver" (1982), marco do cinema dos anos 80 tão importante quanto "Blade Runner - O Caçador de Andróides".

Conferido o filme, a boa notícia é que a proposta artificialíssima da fotografia, acompanhada de uma montagem vertiginosa, não torna impossível acompanhar a história - apesar de cansar um pouco. A má notícia é que esse estilo todo não é capaz de segurar um dos roteiros mais fracos dos últimos anos.

A história verídica da caçadora de recompensas Domino Harvey (morta supostamente por overdose pouco antes do lançamento filme) é daquelas prontas para virar roteiro de Hollywood: filha do famoso ator Lawrence Harvey, que morreu quando ela era criança, a moça teve dificuldades para se adaptar à vida dos ricos e famosos de Bervely Hills, e uniu-se a um grupo de ex-criminosos que trabalhavam pagando fianças e depois cobrando-as, com juros.

No filme, obviamente, o já perigoso trabalho dos caçadores deve ser posto à prova: por causa de uma trapalhada do chefe (interpretado pelo sempre chefe Delroy Lindo), que os deixa à mercê da máfia e do FBI, eles são obrigados a se comportar como criminosos de verdade. "Eles" são Domino (a linda Keira Knightley), o líder Ed Mosbey (Mickey Rourke, com o charme quase totalmente recuperado) e Choko (o m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o Edgar Ramirez), acompanhados do motorista Alf, um suspeitíssimo imigrante afegão. Junto com a trupe, e sem desconfiar da lambança em que estão metidos, viajam uma equipe de TV que filma um reality show e dois atores da série "Barrados no Baile".

Junte-se a isso várias subtramas e muitas participações especiais (Jaqueline Bisset, como a mãe de Domino; Christopher Walken, como diretor de TV; Lucy Liu como psicóloga da polícia; Tom Waits como um anjo-salvador) - e temos um péssimo arranjo. Os diálogos óbvios e as situações dramáticas inverossímeis criam uma atmosfera nonsense mal aproveitada, pois não há qualquer humor ou ironia que a justifiquem, nem mesmo uma abordagem fantasiosa que a torne aceitável.

. Assim, somos levados à força a acompanhar uma seqüência de erros tolos cometidos pelos personagens e pela direção pra lá de pretensiosa. O diretor, aparentemente, está decidido a construir, com este filme, uma espécie de marco da década semelhante a antigas "proezas" suas como "Top Gun - Ases Indomáveis". A diferença é que, desta vez, no lugar dos heróis americanos tradicionais, temos anti-heróis típicos do cinema pós-Tarantino - só que sem um décimo da personalidade. Se o tempo disser que Tony Scott foi bem sucedido em seu projeto... então, que porcaria de década.
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