FALANDO GREGO:


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Original: My Life in Ruins
País: EUA/Espanha
Direção: Donald Petrie
Elenco: Nia Vardalos, Richard Dreyfuss, Alexis Georgoulis, Alistair McGowan.
Duração: 95 min
Estréia: 11/09/2009
Ano: 2009


Pelo amor de Zeus!


Autor: Cid Nader

Falando Grego- o que se pretende filme -, para quem o imagina como obra cinematográfica, está tão distante de ser entendido e compreendido como tal, quanto o idioma grego (antigo ou moderno) para qualquer humilde habitante do mundo que mal entenda, decifre, escreva (em), sua própria língua. O trabalho dirigido por Donald Petrie – sem pré conceitos quanto à sua obra pregressa, mas dá pra sentir um tanto da razão da qualidade do filme (que os deuses me perdoem por chamar tal trabalho de filme), pelas mãos e olhos que o dirigiram – é uma das mais angustiantemente ruins coisas que vi projetadas na telona em toda minha vida.

O que é aquele monte de situações preconceituosas (aí sim, nitidamente fazendo jus ao termo – pré conceitos, preconceito - por sua compreensão mais abrangente redutora e mais diretamente dirigida) que a protagonista eterna da personagem Georgia, Nia Vardalos, destila a cada grupo de turistas imaginados para ilustrar a concepção de vida de quem imaginou o filme? São canadenses bonzinhos e educados, ou americanos de cabeça pequena, russas que não se dignam falar inglês, seus próprios grego trambiqueiro e atrapalhados, aposentado engraçadinho (“sempre tem um”, já sentenciava a guia de turismo Georgia, desde o início), mulher fina e intragável com marido medroso... Por mais que se tente entender a liberdade poética (ou liberdade de mexer com caraterísticas gerais, reduzindo-as) num filme de humor, a sensação (certeza) é de que muito do se diz brincando, com a pretensa intenção de arrancar risos inocentes, está implicitamente explanados sensações interiores – e não sou daqueles que gostam de humor politicamente correto não.

O que é aquela maneira de filmar, que resulta imagens para serem vistas na poltrona de casa, após a viagem de turismo de algum parente? O filme é pior do que somente quadrado no quesito técnica, indo além do ruim ao exibir um resultado de luz chapada, que afeta a qualidade das cores e as possibilidades de nuances, de sombras, de profundidade; o diretor (e aí talvez devesse repensar a figura que fiz do parente que viaja, filma e nos obriga a ver o resultado, a não ser que fosse tal parente uma espécie de maníaco rico) usa gruas pra lá, pra cá, como tentativa de dinamismo que poderia ser obtido por melhor enquadramento, ou edição mais elaborada, por exemplo; para não falar no quesito até meio boboca que é o da continuidade (algo que na realidade nem deveria ter importância num cinema de qualidade) que falha grotescamente a ponto de tirar a atenção (a cena do sorvete é um exemplo a não ser seguido – ou sim, sei lá).

O que são aqueles personagens (os isolados do todo, do bloco, mas somente com a intenção de criar marca forte obre as opiniões generalizadas emitidas logo no início sobre os grupos) caricaturais? Ela própria, desde o início da “série” (são três filmes que começaram com o “Casamento Grego” e só vem piorando, com a mesma personagem saindo dos States e retornando à Grécia de seus ancestrais), com um sorriso esquisito e atuação horrível, que prepara grandes arranjos em causa própria (sempre um ator bonitão, ou ser comparada a Angelina Jolie, neste filme mais recente) e tem se tornado a cada filme mais o centro das atenções; o tal do bonitão grego, que no início aparece com cara de urso e, percebe-se, transformar-se-á num objeto raro com o passar dos frames; a menina que nunca sorri, até Georgia – surpresa - conseguir isso (baita truque safado para tal conquista) -, a velhinha ladra que – adivinhem – no final se “regenerará”; ou o outro guia de turismo que pagará os pecados; ou, ainda, as russas que não falam inglês, somem do filme e reparecem no final, como se sempre tivessem estado presentes... Uma infinidade de tipos ruins, mal desenhados, mal pensados, tirados da pior cartilha da praça – compreensível quando se constata a qualidade do filme, afinal de contas.

Poderia se pensar em Richard Dreyfuss com a única coisa passável de Falando Grego? Sim – aliás uma barbada “pré percebida”. Assumindo a idade, o ator vai bem e até tem o tipo mais razoável dentre todos os personagens. Mas o roteiro já havia preparado mais uma das suas, e qualquer um pouco mais atento perceberá o “seu destino”. De verdade, mesmo estando num ano com alguns filmes bem ruins, acho que já temos o vencedor: será difícil superá-lo em mediocridade, e à cafajestice na atuação de Nia Vardalos.

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