UP - ALTAS AVENTURAS:


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Original: Up
País: EUA
Direção: Pete Docter, Bob Peterson
Elenco: Animação
Duração: 96 min
Estréia: 04/09/2009
Ano: 2009


Pixar se consolida como sinônimo de cinema comercial de qualidade


Autor: Fernando Oriente

Em uma época em que o cinema hollywoodiano especializou-se em produzir seus maiores sucessos para um público alvo com média de idade em torno dos 13 anos e nem um pouco exigente em termos qualitativos – o que logicamente ilustra superficialmente o péssimo nível dessas produções -, o estúdio de animação Pixar consegue, ao mesmo tempo, realizar longas que contemplam o público infantil e agradam os espectadores adultos. Esse antigo sonho dos realizadores de desenhos animados já é fato consolidado no mercado cinematográfico mundial. Dentro desse contexto a Pixar desponta soberana e, ano após ano, lança filmes que se superam em qualidade e sofisticação (tanto formal quanto dramática). E, para ampliar ainda mais a importância do estúdio dentro do cinema de entretenimento contemporâneo, existe até uma pequena obra-prima com seu selo, o brilhante “Wall.e”. Toda essa argumentação parece já ser lugar comum, tanto que os organizadores de Cannes escolheram a mais nova obra da Pixar para abrir o festival de 2009. Up – Altas Aventuras chega às telas após grande sucesso no festival de cinema mais famoso do mundo e, pelo que o público pode conferir com ou sem os óculos 3-D, consolida o estúdio como sinônimo de cinema comercial de qualidade.

Longe de ser o encantamento que é “Wall.e”, “Up” é um filme em que a mistura precisa de emoção, aventura rasgada e humor atinge um balanceamento redondo, proporcionando diversão sem os exageros visuais invasivos da atual safra hollywoodiana e sem a característica pieguice dos clichês que predominam nas produções americanas que insistem em passar uma “mensagem”. O longa dirigido por Pete Docter e Bob Peterson é objetivo, tem ritmo ágil sem ser atropelado em sua evolução narrativa e ainda reserva boas doses de emoção. Parece ser o resultado de um argumento desenvolvido por pessoas que conhecem os elementos que fazem do cinema um dos produtos de apelo popular mais poderoso do planeta e que, após trabalharem esses elementos na construção do roteiro, conseguem adicioná-los aos recursos de alta tecnologia para construir o que hoje, infelizmente, é algo raro: um bom entretenimento que pode ser também inteligente, sem exigir demais daqueles que não vêm nos filmes algo além de diversão fugaz (a grande maioria dos freqüentadores de salas, locadoras e sites de download).

Já foi frisado por muitos que “Up” tem como protagonistas uma dupla improvável no mundo do cinema voltado para grandes públicos. Afinal de contas não é sempre que vemos um velhinho de 78 anos e um garoto gordinho de oito serem os heróis de uma aventura. Esse recurso, analisado no contexto do longa, torna o filme ainda mais interessante e original, oferecendo situações de ação pouco prováveis em que a maneira encontrada pela dupla para atingir seus objetivos é potencializada pelas soluções visuais criadas para as ações, ao mesmo tempo em que as limitações da dupla alimentam a criatividade dessas soluções. Como não poderia deixar de ser, levando em conta o repertório cinematográfico dos realizadores, “Up” conta com uma série de citações bem sacadas no roteiro. Temos menções que vão de “Guerra nas Estrelas” e “O Balão Vermelho” até Jacques Tati e sua clássica crítica à modernidade, sem esquecer os “momentos Indiana Jones” e as referências às aventuras clássicas dos grandes estúdios. Podemos considerar “Up” um filme “retrô” em seu aspecto dramático-narrativo, o que cria um diálogo interessante com as modernas técnicas de animação e as possibilidades dos recursos do 3-D.

Up – Altas Aventuras não é a explosão de ternura que é “Wall.e” e nem possui o requintado tratamento dado a relação espaço-tempo da aventura do robozinho, mas é um filme redondo que emociona sem ser piegas e que diverte sem se fiar apenas no aspecto visual. O filme conquista crianças e adultos e injeta inteligência no saturado universo dos blockbusters. Em meio a adaptações histéricas de personagens em quadrinhos, comédias ora romântico-bregas ora escatológico-grosseiras e brigas de robôs de duas horas e meia de duração, a nova animação da Pixar é um refúgio para aqueles que ainda acreditam que o cinema de entretenimento não se rendeu totalmente à boçalização. Vida longa à Pixar!

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