WALDICK, SEMPRE NO MEU CORAÇÃO.:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: Brasil
Direção: Patrícia Pillar
Elenco: Documentário
Duração: 58 min.
Estréia: 28/09/2009
Ano: 2008


Patrícia sem sobras.


Autor: Cid Nader

A cultura popular brasileira é rica em ícones das mais variadas "categorizações". Existem alguns que são jogados às feras da crítica e denominados pejorativamente como "bregas" – algo que já resultou discussões das mais acaloradas dentro de nossa vida artístico-cultural, tendo como um dos mais famosos exemplos a defesa inconteste e acalorada de Caetano Veloso ao "ídolo das empregadas" domésticas, Odair José, durante um show inundado por vaias e xingações, respondidas pelo "culto e idolatrado" cantor baiano com citações a "burguesia", "falsa cultura", e mais...

Waldick Soriano talvez seja nosso maior exemplo nesse sentido de deturpação e categorização. Transita de maneira superior entre o mundo das pessoas mais simples. Um verdadeiro rei – e isso há décadas. Patrícia Plillar resolveu ingressar no mundo do cinema - por trás das câmeras – retratando tal figura. A opção dele em começar pelos documentários poderia pressupor uma estratégia uma tanto facilitadora: já que não seria necessário todo o aparato da preparação de atores, continuidade, o cuidado com a continuidade, a parte literata – fazer uma ficção em longa metragem, numa olhada mais superficial e ligeira, remete a pensar no máximo a ser atingido dentro da estrutura cinematográfica (por complexidades nitidamente em maior quantidade), o que deixaria o caminho dos curtas ou dos documentários como o caminho ideal para um início. O que resultou ao final dessa visita a "Waldick Sempre no Meu Coração" foi a impressão de que realizar um bom trabalho no mundo dos "documentos" pode significar um belo caminho à frente – sei que fazer documentários é uma arte específica tão ou mais complexa do que a outra e que pode revelar o quanto alguém domina seu ofício de realizador.

Patrícia não deixou aparas nesse seu trabalho. Foi precisa nas informações obtidas e não negou fogo no momento da montagem. Seu filme não excede em tentativas, não ousa de maneira desnecessária esteticamente – e mesmo assim não fica devendo em informações, e ainda é muito bonito e justo nas opções fotográficas. Ela segue intimamente o cantor por diversos cantos do país, e percebe-se que atingiu o grau de cumplicidade – somente grandes diretores conseguem – necessária com o retratado, o que permitiu que ele se comportasse de maneira totalmente natural ante seus fatos e seu cotidiano. Dentro desses fatos, vale lembrar as falas de ex-mulheres a respeito dele, - reveladoras e longe de caracterizarem trabalho chapa branca -, e restou um momento genial (fato e cotidiano justapostos) quando se vê um Waldick "se permitindo", defronte das lentes, uma reação natural e "antipática" diante do esforço "patético" de sua mais recente companheira em fazê-lo próximo (a impressão que resta é inequívoca). O filme revela bastante de sua vida, utiliza boas cenas de arquivo, mas o que mais o que caracteriza como grande início de jornada para alguém que inicia é a sensação de que acabamos de ver alguém de verdade (retirado do mundo dos ícones e dos bregas) retratado na tela grande.


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