SE BEBER NÃO CASE:


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Original: The Hangover
País: EUA
Direção: Todd Phillips
Elenco: Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis, Justin Bartha, Heather Graham, Ken Jeong, Mike Tyson
Duração: 100 min.
Estréia: 21/08/2009
Ano: 2009


Rir até certo ponto. Mas...


Autor: Cid Nader

Se Beber Não Case é filme que já tem caminho bem demarcado atrás de si na história da cinematografia norte-americana recente. São filmes que vêm com a marca registrada do humor baseado fortemente em clichês de comportamento masculino – no sentido de machista, homofóbico e outras segregações mais -, mas que também ganham fama, tem sucesso e muitas virtudes justamente por não vestirem a jaqueta justa, desconfortável e artificial do “politicamente coreto”. Na maior parte dessas produções, a risada é arrancada aos borbotões, tanto de públicos realmente machistas (geralmente jovens de uma classe média institucionalizada), quanto de defensores de cinema de qualidade. Por um lado (o dos machistas), é muito fácil imaginar as razões do agrado; por outro lado (o dos admiradores de bom cinema), o que pareceria difícil imaginar por parte de gente mais intransigente, fica fácil quando se nota com um mínimo de atenção que as realizações são uma espécie de “arma” arranjada pelos realizadores, justamente para denunciar e fazer entender o quão cretino são os “rituais” repetidos com tinta forte na tela – num fato que desmontaria sem dó nem piedade as razões que atraem o primeiro grupo de admiradores citados.

Mas há uma coisa que os admiradores confiáveis – os cinéfilos – não percebem, como fator enfraquecedor na maior parte dessas produções: o acomodamento final em quase todas as situações, onde os “anarquistas”, os “desconjuntadores”, acabam tendo de ceder, e, pelas mãos de quem os imaginou desafiando regras. Em quase todos esses filmes, vinga no final o caráter da instituição mais respeitável (justamente aquela de onde saem os odientos, os racistas, os “normais”) americana que é a família. Invariavelmente, casos acabam em casamento, “porras loucas” acabam se adequando ao sistema, e, quando não, é porque uma das partes envolvidas era muito “má” e potencial ameaça ao bem estar e segurança do lar almejados interiormente. Quero dizer que, apesar das virtudes artísticas – sim, a maior parte desses filmes é tremendamente bem desenhado tecnicamente -, e das justas alfinetadas desferidas contra os de cabeça pequena, ao final, lá na hora de acertar as contas, parece que a justa rebeldia tem que ceder um tanto de seu espaço arranjado em favor da justeza e limpeza de uma sociedade absolutamente amparada no lar e nos bons costumes.

No caso desse filme dirigido por Todd Philips, acontece de tudo isso citado um tanto, e talvez com mais potência – para um lado e para o outro. É forte na pegada que desafia o lenga-lenga aceitado socialmente que permite ao homem (o macho da espécie) uma escapada oficial na tal da despedida de solteiros, ao fzer com que a turma de homens nvolvidas na tal situação percam a cabeça de modo bem complexo e quase incontornável – eles vão para Las Vegas (e aí, o filme generaliza e escorraça qualquer bom senso em relação ao que pensar da cidade e de seus habitantes mas pode ficar por conta do politicamente incorreto utilizado como função de guerrilha, vá lá), bebem, são drogados e perdem a tal ponto a noção, que o filme ganha por muitos instantes ares de bad trip que parece não terá bom destino.

Situações bizarras pra cá, tigres pra lá; Mike Tyson de um lado, dente de dentista cerceado por esposa carrasca voando para o outro; bebê de um lado, mãe solteira e “potencialmente” melhor que todas as outras juntas, prum outro. Vai o filme na toada comum às boas produções do gênero, arranca boas risadas e suspiros de tensão em razoável quantidade, mas se perde – como quase sempre, e aqui de forma um tanto mais incomodativa -, quando evita ir até o final desafiando as caretices que tanto detonou por seu percurso. A única união desfeita é a “que merecia isso mesmo”... Bem filmado: sim. Com boas atuações: sim. Mas poderia ganhar outro sim pelas opções de desfecho.

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