ARRASTE-ME PARA O INFERNO:


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Original: Drag Me to Hell
País: EUA
Direção: Sam Raimi
Elenco: Alison Lohman, Justin Long, Lorna Raver
Duração: 99 min.
Estréia: 14/08/2009
Ano: 2009


Com horror e diversão, Sam Raimi volta às origens.


Autor: Laura Cánepa

Corrijam-me, por favor, se eu estiver enganada, mas já faz algum tempo que Hollywood parece ter desaprendido a fazer filmes de horror com momentos engraçados que não pareçam completamente idiotas. Exceto por algumas franquias que assumiram a auto-paródia (como as séries "Brinquedo Assassino", "Premonição" e o memorável encontro de "Freddy X Jason"), o humor tinha quase desaparecido das boas produções de horror americanas. Pelo menos até agora.

Mas, com Arraste-me para o inferno, o consagrado cineasta Sam Raimi retoma o gênero que o acolheu em sua espetacular estréia cinematográfica (com o hoje clássico "Evil Dead", de 1981), trazendo um filme de horror sobrenatural repleto de momentos engraçadíssimos que nos remetem às loucuras de "Uma noite alucinante" (1987), continuação de "Evil Dead" também dirigida por ele.

Como o seu novo longa de horror, Raimi reafirma muitas das qualidades já reconhecidas e esperadas de seu cinema, como o uso brilhante dos movimentos de câmera e da trilha sonora. O filme também traz citações espertinhas de outras obras do gênero que devem fazer alegria dos cinéfilos (como as referências evidentes a "Nosferatu", a "Poltergeist" e ao próprio "Evil Dead", entre outros). Mas, sobretudo, o que se destaca é a trama original escrita pelo próprio diretor em parceria com seu irmão, Ivan Raimi. Repleta de sustos que se alternam com situações engraçadas e momentos francamente escatológicos, a narrativa se desenvolve de maneira frenética, garantindo a atenção e a diversão da platéia.

O filme conta a história de Christine Brown, uma jovem ambiciosa que, para conseguir uma promoção no banco em que trabalha, nega um empréstimo a uma repugnante velha cigana que joga sobre ela uma terrível maldição. O roteiro é engenhoso ao introduzir, aos poucos, uma série de informações que enriquecem o conflito, fazendo com que nos interessemos pela vida da personagem tanto quanto por sua desventura nas mãos das terríveis criaturas que passam a persegui-la.

A atriz Alison Lohman, que interpreta Christine, consegue equilibrar bem as características de uma personagem ao mesmo frágil, agressiva e um pouco trapalhona. Junto com ela, uma galeria divertida de personagens (como o vidente e os colegas de trabalho) conseguem entabular diálogos hilários e criar alguma tensão dramática. Mas, é claro, o grande destaque do elenco fica por conta da veterana atriz de TV Lorna Raver, que encarna uma das mais memoráveis e escandalosas bruxas da história do cinema horror.

Se um reparo pode ser feito ao filme, este fica a cargo do uso abusivo dos efeitos de CGI, que, além de algumas vezes dispensáveis, acabam estragando um pouco do caráter "retrô" que uma trama de bruxa má poderia trazer.

É claro que, por ser uma produção cara feita por um grande estúdio como a Universal, Arrasta-me para o inferno está longe do frescor, da radicalidade e da energia da estréia de Raimi, sendo obrigado a fazer uma série de concessões (inclusive ao "merchan" dos efeitos digitais). Mas, convenhamos, não era outra coisa que se esperava do diretor que encabeçou a trilogia "Homem Aranha", uma das mais bem-sucedidas franquias de superproduções hollywoodianas.

Dadas as circunstâncias comerciais de seu trabalho atual, é provável que o novo filme de Raimi seja, em pouco tempo, esquecido em favor de sua obra-prima de estréia, que tinha muito mais liberdade para ousar dentro do gênero. Mas, certamente, Arraste-me para o inferno marcará um dos bons momentos do cinema em 2009 - além de trazer uma prévia do remake de "Evil Dead" que o diretor promete para o ano que vem.

O que nos aguarda em 2010 (se uma boa releitura de um clássico ou outro divertido carnaval de CGI?), só o tempo dirá.

P.S.: "Vale dar uma olhada na recente "descoberta" sobre a origem do suposto roteiro original do filme: http://buchinsky.wordpress.com/2009/08/24/drag-me-to-comics/#comments. Cortesia de Leandro Caraça"

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