VERONIKA DECIDE MORRER:


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Original: Veronika Decides to Die
País: EUA
Direção: Emily Young
Elenco: Sarah Michelle Gellar, Jonathan Tucker, David Thewlis.
Duração: 104 min.
Estréia: 21/08/2009
Ano: 2009


Falta profundidade - como seria de se esperar.


Autor: Cid Nader

Paulo Coelho seria um dos caras da literatura ser mais procurado para que seus textos virem filmes – deveria ser, imagino, dado o seu alcance em maior escala popular mundial (caso que se repete sempre quando se busca a literatura como fonte de enredos) -, mas até o momento não tem acontecido tal troca de “favores” com facilidade, pelo que parece. Seu livro “O Alquimista” vem sendo sondado a “milênios” para se transforma me peça de cinema, e para quem tem alguma ligação mais atenta ao assunto, pareceria a aposta mais óbvia e à mão para vingar. Não foi o caso, como se pode constatar agora com a estreia – até meio obscura, não tão divulgada como seria de se imaginar - de Veronika Decide Morrer.

Pareceria óbvio iniciar um texto sobre o filme, discorrendo algo sobre a potência e fama de Coelho junto a um tipo de público leitor no mundo inteiro (tipo de público = muita gente, de todos os naipes de cultura); pareceria óbvio tentar analisar a transformação de suas letras em imagens e edição; mas não sou um grande (pra falar a verdade, nem pequeno) conhecedor da obra do escritor brasileiro, e, também quase sempre procuro dissociar uma arte da outra (quase nunca busco na referência, na origem da ideia, a comparação ao que resultou com trabalho que deverá ser visto nas telas, e entendido como arte do meio). Portanto, mesmo tentando fugir do policiamento crítico/culto aqui de nossa terra que pega demais no pé do escritor (e vejo, sinceramente, uma boa parte dessa “pegação de pé” atrelada ado fato do sucesso em grande escala dele), e antes de desvincular de vez o autor do que vi referenciado na tela, me sobrou a sensação de que ele talvez fale forte a uma boa parcela de seus leitores por tentar “ajudá-los” com palavras e atitudes atípicas ao cotidiano ocidental, por exibição de culturas arrancadas de paragens mais ligadas ao não concreto, ao não racional, mas com uma superficialidade estonteante (me pareceu – ratificando o pouco que li dele – que falta bagagem culta às suas pesquisas, que se resolviam bem no pequeno espaço exigido para a confecção de músicas, mas que mereceriam mais estofo quando a idéia é estender aprendizados a extensões mais generosas, como são as páginas de um livro). Enfim...

Descendo à Terra, e falando especificamente do trabalho realizado pela britânica Emily Young, a sensação é de que a obra fílmica tentou planar no mesmo grau de atmosfera etérea pela qual deve ter transcorrido a história escrita. É um filme de pequenos e manjados truques com a câmera – daquelas que se aproximam velozmente, balançam na hora de procurar um take, fogem do centro focal para “divagar” por sabe-se lá onde e sabe-se lá por que... -, modernidade artificial estética com sua iluminação clara (tudo se passa em urbe moderna, com uma protagonista absolutamente ligada ao mundo contemporâneo descolado), soluções dentro da clínica de recuperação que beiram uma simplicidade franciscana demais (de alma pura e idéias um tanto dissociadas a mais do que deveria ser exercido em tais locais), e final muito “humanisticamente” barato.

Por outro lado, há uma leveza (mesmo em se discutindo assunto tão complexo quanto o que é discutido) conseguida por Young rara de se ver em produções que busquem a leveza como seu maior trunfo narrativo. O filme flui fácil – para quem se dispuser a assisti-lo “desramado” – e, nesse sentido, parece ter conseguido trafegar por instâncias que o possibilitem ser, em intenção, na essência, uma espécie de alma gêmea da obra escrita (do estilo do escritor).

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