O CONTADOR DE HISTÓRIAS:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: Brasil
Direção: Luiz Villaça
Elenco: Maria de Medeiros, Marco Antonio Ribeiro, Paulo Henrique, Clayton dos Santos da Silva,
Duração: 100 min.
Estréia: 07/08/2009
Ano: 2009


Boas intenções e resultado morno.


Autor: Cesar Zamberlan

O Contador de Histórias é um filme tão simpático, bonachão e bem intencionado quanto o seu diretor Luiz Villaça. Mas esse ar comportado demais do filme acaba tornando-o, por outro lado, um tanto quanto anêmico em sua proposta narrativa.

O filme ficcionaliza a história do mineiro Roberto Carlos Ramos que passou sua infância na Febem porque a mãe acreditou que a instituição poderia dar a ele um futuro melhor. Por sorte e depois de muitas roubadas, o adolescente com 13 anos acabou caindo nas graças de uma pedagoga francesa que estudava no Brasil. Foi com ela para a França, viveu alguns anos lá e depois, ao voltar ao Brasil, transforma-se num contador de histórias famoso, se forma em pedagogia e torna-se pai adotivo de 13 crianças.

A construção do roteiro - conta Villaça - levou em conta que a história da vida de Roberto Carlos é a história que ele, hoje, montou para si, e que como toda boa história contada por um bom contador de histórias tem lá suas verdades e mentiras. O que de fato é menos importante. O filme, no entanto, ao contar a história, elege uma verdade. Verdade que o quarteto de roteiristas achava que renderia um melhor filme, e não explora, ou explora pouco, a liberdade criativa e fantasiosa que faz com que o menino seja o contador de histórias de hoje. No primeiro depoimento do garoto à pedagoga francesa, vivida por Maria de Medeiros, isso fica evidente. Ela conta como chegou à Febem e a ficcionalização do testemunho dele, num estilo anos 80, black power, dá um ritmo novo e frescor ao filme, misturando a fábula à realidade. Mas, tal procedimento, ao estilo “Big Fish” de Tim Burton, vai com o decorrer do filme sumindo e o filme assume um ar mais sério e chato.

Outro momento do filme bem interessante é o da aproximação dos personagens no espaço da casa da pedagoga. Villaça constrói ali um pequeno filme, talvez até mais interessante que o seu filme como um todo. Dá autonomia à imagem e aos personagens, libertos do texto que, em muitos momentos, sobretudo quando a narração em off duplica como uma legenda aquilo que a imagem nos revela, sentiam um peso desnecessário e esmagador sobre eles, registrando o óbvio. Esse peso da narração fica claro no início do filme quando o personagem diz que queria morrer e a imagem o mostra deitado no trilho do trem que se aproxima. Parece óbvio que alguém que deita no trilho do trem que se aproxima procura a morte: é desnecessário e empobrecedor repetir isso.

Exceto essas questões e uma certa falta de ritmo, de energia maior - o filme às vezes parece contaminado pela letargia tipicamente mineira -, O Contador de Histórias tem a seu favor a sua boa intenção. O filme faz parte da campanha "Criança Esperança". Tem sinceridade e atuações simpáticas e muito bem trabalhadas de todo o elenco, desde a carismática Maria de Medeiros até os garotos que representam Roberto Carlos em diversos momentos de sua história. Não é um filme ruim, longe disso, mas não chega a ser bom: é mediano. Morno.

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