O GRUPO BAADER MEINHOF :


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Original: Der Baader Meinhof Komplex
País: Alemanha/França/ República Tcheca
Direção: Uli Edel
Elenco: Martina Gedeck, Moritz Bleibtreu, Johanna Wokalek
Duração: 150 MIN
Estréia: 24/07/2009
Ano: 2008


Falsidade ideológica


Autor: Cid Nader

A Alemanha brigou muito para que esse fosse seu filme indicado à corrida do Oscar de filme estrangeiro neste ano – pelo menos do lado da representação oficial do cinema germânico. Primeiro: lutar para concorrer ao Oscar – de qualquer espécie que seja – não é sinal de qualidade ou de conhecimento de causa (no caso, a do bom cinema), até porque o prêmio é algo a ser regozijado (principalmente, aí, na categoria dos filmes extra-EUA) por quem goste das luzes mundiais que privilegiariam um bom retorno financeiro via público alvo “fácil”. Segundo: numa denotação para lá de já sabida da qualidade capenga do cinema teutônico (germânico, hanseático, o que aprouver melhor) de uns muitos anos pra cá – uma queda brusca, que excluiu da “competição” interna de qualidade os fantásticos tempos do cinema mudo local; ou de um revolucionário como era Fassbinder; ou, mais ainda e para ganhar grau de paridade por alguma aba que seja com esse trabalho recente dirigido por Uli Edel, com os trabalhos de forte cunho político egressos da região nas décadas de setenta e oitenta.

O filme é tão indigno representante da beleza de um cinema que já foi referência – e motivo de importação de matéria prima até pela “meca Oscarística americana” -, quanto digno da pobreza recente das obras de lá. O assunto é de tremenda importância para quem tenha qualquer tino político ainda ligado no “on”, e para quem tenha alguma consciência da importância daqueles momentos históricos na luta quase heróica e estóica que moveram pessoas do mundo inteiro (do primeiro e terceiro) a favor da possibilidade de uma socialização mundial, a favor do comunismo, principalmente contra os órgãos e maneiras institucionais criados para combater quem ousasse bradar contra o capitalismo. A constituição do grupo guerrilheiro Baader Meinhof (que na época tinham como similares de ideais, os latino-americanos Tupamaros ou Sendero Luminoso – este segundo de tendência fortemente maoísta e de práticas bem mais assustadoras e violentas; ou a emergente organização dos grupos árabes muçulmanos) é até relatada de forma razoável no trabalho ficcional que se pretende bem falsamente um representante aprofundado documental dos fatos.

O relatado sobre a criação, origem e razões, é “descaído” pelo diretor (não sei ao certo qual a importância, tom e teor, da obra escrita no qual foi baseado, escrita pelo jornalista Stefan Aust) para um patamar de complemento de obra ficcional movimentada e “espertinha”, de maneira a fazer dos dados uma espécie de simples e necessária comunicação dos fatos, para não deixar o espectador incauto/comum totalmente perdido no espaço de possibilidades. O que o diretor entrega, aos poucos, é um trabalho bastante “falso” (quando se imagina o assunto como algo que mereceria muito mais reverência e respeito), violento, que aposta muito suas fichas no preenchimento estético da tela com atos de terrorismo à “filme de bandidos, mocinhos e ação”, e que também imagina preencher os vazios essenciais, com estética de um,a bela adequação de figurinos, músicas e comportamento do momento.

O que muita gente viu por aí como veracidade histórica e respeito ao momento, me parece, na realidade, um embuste enorme, descartável e tremendamente agressivo a verdades históricas. Não que seja impossível ficcionalizar e romantizar grandes e importantes momentos da história (aliás, o cinema é bastante pródigo nisso), mas é impossível, mesmo, sacar que um desses momentos foi desrespeitado, camuflado, ajeitado, para servir de trampolim instável para obra apodrecida – daquelas pela qual batalham loucamente para que sirvam de concorrentes a prêmios estrangeiros.

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