HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE:


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Original: Harry Potter and the Half-Blood Prince
País: EUA
Direção: David Yates
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint
Duração: 153 min
Estréia: 17/07/2009
Ano: 2009


Harry Potter e o Enigma do Príncipe - nuvens e danação à frente


Autor: Cid Nader

Essa mais recente cria do “fantástico mundo Harry Porter”, Harry Potter e o Enigma do Príncipe, merece algumas considerações. Afora o inacreditável alcance que a série literata da saga do ex-bruxinho (agora um jovem que, junto com sua turma mais próxima, percebe de forma cada vez mais presente a força da sexualidade, dos hormônios interferindo, e a possibilidade da paixão como um dos grandes “perigos” da vida humana), a sua vida no mundo do cinema também constituiu grandes discussões sobre a validade da obra fílmica em relação à escrita, disputas públicas pelo privilégio de poder ser vista, e emaranhados de análises críticas de múltiplas constatações.

Este último trabalho talvez seja o que mais agradou particularmente. Mesmo que com o passar dos dias perceba cá comigo que algumas “barrigas” tenham ganhado espaço demasiado num certo trecho intermediário final, mesmo sabendo que esse problema, normalmente, seja o fator principal da falência de algumas obras filmadas (numa arte que necessita de encadeamento e fluidez narrativa, falhar nesse ponto é realmente caso bem grave), ainda me resta a sensação de uma potência incomum e superior aos outros trabalhos da “série”. O filme tem ritmo forte por diversos momentos, à paridade aos de alguns grandes momentos do cinema de ação adulto – momentos de ação que carregam em si tensão madura e perspectivas de que não haverá solução iminente, o que empresta um encargo pesado (justo e perceptível para quem já “leu” a obra) à figura de Harry: o encargo que leva a perceber que, provavelmente, ele se “danará”, não terá vida fácil à frente, sofrerá os sofrimentos humanos, com uma carga inumana complicadora a mais do que o comum.

Talvez por conta dessa sensação de não soluções à vista – muito, muito ao contrário -, o filme, ao seu final, parece ter causado em algumas pessoas a sensação de que “teria falhado em se explicar mais”. Muito ao contrário, essa sensação intuida por alguns, coloca a obra dirigida por David Yates num local muito raro dentro da história do cinema seriado: Harry Potter e o Enigma do Príncipe aceita ser um trecho da saga, sem medo, com dignidade e certeza de que está para toda extensão do trabalho, como uma ponte firme, sem receio de sê-lo. O filme se presta a ser tal ponte, mas Yates não facilitou a vida desse capítulo, pois o realizou tenso, carregado, como ponte sim, mas que não aponta para caminhos leves ou floridos lá no seu destino.

Se muita gente (da parte dos que gostam) aposta ma discussão da sexualidade, da paixão, da descoberta do mundo adulto como o grande trunfo do filme, creio mais justo pensar nessa condição de apêndice assumido como a grande cartada – até gosto da discussão do rito de passagem de um estágio da vida para outro, mas este não é um fato tão “inusual” em outros trabalhos, que perfazem essa discussão com tanta segurança, bom humor, e carinho que este filme faz. Já a história da ponte,. Do que jeito que foi tratada... Algo com certeza mais raro e notável.

Outra virtude do novo trabalho recai fortemente na qualidade estética alcançada. Filme de visual dos mais rebuscados e bem trabalhados, espanta por várias vezes e causa a sensação de algumas novidades visuais, num mundo que tem, apostando bastante na computação como elemento de criação e quadros e cenários. Até nesse sentido parece ser um trabalho mais adulto, de mais “estofo”, de mais sensibilidade. Mas, por conta disso, um senão grande é necessário ser ressaltado: ver o filme em uma sala com projeção 3D é uma pedida e tanto – foram os melhores momentos que pude ver obtidos com a tecnologia -, mas toda essa qualidade se dá num período bastante exíguo (cerca de 10 minutos iniciais), causando um sensação de “quero mais”. Pode ser que muita gente pague mais para vê-lo em uma sala especial, acreditando em períodos mais longos, e isso não é bem explicitado nas propagandas destas salas, nem nas dos distribuidores. De toda maneira, uma grande opção, mostrando o quanto pode ser bom o cinemão de entretenimento.

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