O GALINHO CHICKEN LITTLE:


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Original: chicken Little
País: EUA
Direção: Mark Dindal
Elenco: Animação
Duração: 77
Estréia: 11/11/2005
Ano: 2005


O Galinho Chicken Little: valente e volátil


Autor: Fábio Yamaji

A Pixar, produtora de sucesso de curtas em CG (computação gráfica) – como "Luxo Jr.", "Tin Toy", Knick Knack" –, assinou em 1991 uma parceria com a Disney para realizar longas-metragens de animação digital, algo inédito naquela época. Bom para a Pixar, que nunca havia produzido um longa, e assim teria distribuição garantida pelo quatro cantos, bom para a Disney, que nunca havia produzido um filme em CG e não tinha o know-how desta púbere técnica de animação.

A sociedade foi produtiva e muito bem sucedida: "Toy Story", "Vida de Inseto", "Monstros S.A.", "Procurando Nemo" e "Os Incríveis" fizeram sucesso estrondoso, redesenhando o cenário da animação no mundo todo. Com filmes originais e interessantes pra família toda, destacaram-se pela ousada direção de arte e design de personagens, animação impecável, competente decupagem cinematográfica (dando fim às inúteis "câmeras voadoras", recorrentes nos filmes em CG até então), pesquisa de texturas e iluminação e, principalmente, altíssima qualidade dos roteiros. Jogada impecável – cesta de três com chuá.

O último filme com o selo Pixar/Disney será lançado no ano que vem, "Carros" –que promete fechar a colaboração com chave de ouro. Depois disso a produtora de Steve Jobs e John Lasseter passará a enfrentar o mercado sem o apoio do camundongo.

"O Galinho Chicken Little" é o primeiro longa em CG feito inteiramente pela Disney. Um passo importantíssimo, já que seu núcleo de desenho animado (ou animação 2D) foi dissolvido há dois anos, deixando o CG como sua única fonte de longas pra cinema.

Mas aqui sente-se a falta da Pixar. Apesar de muito divertido, fica longe de se igualar aos longas citados lá atrás. Não tem um roteiro tão consistente e os personagens não parecem compartilhar o mesmo universo estético (Chicken Little, Raspa do Tacho, Pata Feia e Peixe Fora D'Água destoam entre si, ainda que sejam personagens carismáticos).

A história combina dois temas pra justificar um longa. O primeiro é o batido confronto escolar entre populares e nerds. Chicken Little faz parte do segundo grupo, objetivando obsessivamente a buscar sua afirmação entre colegas, comunidade e, principalmente, seu pai. Uma tarefa difícil, desde que passou a ser ridicularizado por todos após certo dia alardear pela cidade ter visto cair um pedaço do céu.

Este acontecimento nos leva ao segundo tema desta bipolarizada trama, quando nos deparamos com uma deslocada referência à "Guerra dos Mundos", pretexto para construir a superação do pequeno protagonista.

A história em si não convence. Peca pela previsibilidade e pela falta de fluência narrativa, tornando-a irregular. São elementos secundários, isolados, que garantem a diversão, como o genial personagem Peixe Fora D'Água (este sim, original e engraçado), a esperta metalinguagem cinematográfica e os números musicais que parodiam Queen, REM e Spice Girls.

Num excelente ano para os filmes de animação, "O Galinho Chicken Little" aparece como o menos inspirado.
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