O EXTERMINADOR DO FUTURO: A SALVAÇÃO:


Fonte: [+] [-]
Original: Terminator Salvation
País: EUA/Alemanha/Reino Unido
Direção: McG
Elenco: Christian Bale, Anton Yelchin, Sam Worthington
Duração: 116 min.
Estréia: 05/06/2009
Ano: 2009


O Exterminador do Futuro: A Salvação – homenagem com final comprometedor


Autor: Cid Nader

É de som e fúria que McG – o diretor – abastece essa sua película. Muito som para nós que o assistimos – recomendo, a quem queira arriscar, escolher uma sala de cinema com som de primeira linha – e sentimos a cadeira tremer, os ouvidos zunirem, a camiseta balançar levemente: muita fúria para os personagens do filme imbuídos de destruir uns aos outros na ânsia de salvarem suas peles ou as carapaças artificiais dos seus. Mcg retornou lá ao início de tudo para recolocar na tela um dos maiores sucessos de imbróglio crítica/espetadores da história do cinema. Falo de imbróglio querendo retomar a improvável conjugação de opiniões favoráveis entre dois setores quase sempre bastante avessos em suas avaliações, quanto são a crítica especializada (e aí eme vejo reduzindo- a a um único patamar, como se não houvesse diversidade dentro do segmento) e o público de cinema (aí então, a sintetização a um canal único fica bem mais complexa, mas vá lá).

Quando do surgimento do primeiro e pra lá de iconográfico filme da franquia, “O Exterminador do Futuro”, em 1984, (protagonizado por Arnold Schwarznegger e dirigido por um James Cameron pré “Titanic”), ninguém jamais poderia supor que um “típico” filme de entretenimento poderia ser “compreendido” e admirado com tanto vigor pela crítica. O sucesso de público parecia coisa certa, mas, como disse, a conjugação de admiração colocou-o num patamar raro de idealização e admiração. Virou obra iconográfica da arte. Temas, situações, a cara de mau e o jeito como Arnold manuseava seu “trabuco” bélico (com uma mão) criaram marca indelével e viraram alvo de imitações.

Um quarto de século após, com a tecnologia e os computadores inacreditavelmente mais avançados no tempo do que então, McG se apodera das novas possibilidades e retrocede no tempo fílmico para reaver o clima dol início de tudo. É estranho perceber o quanto estamos perto – falando no tempo real – dos tempos de desgraça pregados pela história original. Não é possível, hoje em dia, sentir algum temorzinho que seja quanto a tudo de ruim que “deveria” estar quase ocorrendo – robôs/máquinas em guerra catastrófica com os homens -, mas o diretor respeitou tal datação e meteu as caras para remexer na origem de tudo. Há evidentes homenagens – quase cópias – a alguns padrões narrativos do primeiro filme e até às figuras principais. Os robôs, talvez, tenham sofrido a maior mudança e diferenciação – já que anda possível se criara quase tudo com as tecnologias modernas e com o atual estágio da computação -: suas figuras conseguem emprestar um tom um tanto mais amedrontador, e seu trejeitos são mais fluidos.

Há, mais ação na veia, também. Talvez aí resida o maior mérito da ficção improvável - como se imagina que toda ficção deva ser, afinal, restando aos criadores venderem com boa lábia e jogo de cintura seus peixes. Afora as possibilidades de manipulação das imagens na edição, no computador, com ganho incomensurável de “credibilidade”; afora as criaturas cibernéticas criadas com um padrão inacreditável de “veracidade” - apesar de fazer falta aquela coisa meio artesanal, meio de “futuro sendo criado com durex e cartolina” -; afora o filme até ser bem imaginado com tomadas de câmeras improváveis, bem imaginadas, bem captadas e bem editadas, o surpreendente mesmo é a qualidade som alcançada e repassada. Não dá para “duvidar” das sequências ficcionais jorrando em abundância sem aquele vigor no som; não daria para comprar muito do filme sem esse “bom inferno” sonoro. E a partir daí, lembrando do som e guardando muito de seu poder na memória, quando o segmentamos e excluímos do filme num todo (não é muito justo sei, mas façamos como um exercício) os males do filme ganham corpo e podem ser analisados.

O que temos é um filme bastante competente e até reverencial, portanto, nos aspectos técnicos – e isso é um ponto favorável da obra Mas quando se embrenha na história – que, obvia e compreensivelmente é raspa de tacho e magina como preceder tudo -, falhas avolumam e impedem maiores e mais apaixonadas imersões. Isto durante todo o percurso do filme, mas com um notável e equivocadíssimo desfecho meloso – talvez não fosse isso, os erros narrados não ganhassem atenção a mais. Indigno da primeira história, indigno do jeito que foi bolada toda a trajetória dramática, das nuances existentes sob um aparente caos de futuro sujo. Se há finais que até salvam alguns trabalhos, aqui um exemplo totalmente invertido. A não ser que o espectador olhe o tempo do filme antes de sair de casa,, cronometre, calcule uns dez minutos antes do fim e saia da sala para ficar com impressões bem melhores – mas aí já é ficção demais.

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