CARAMELO:


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Original: Caramel
País: Líbano/França
Direção: Nadine Labaki
Elenco: Nadine Labaki, Yasmine Elmasri, Joanna Moukarzel, Gisèle Aouad, Adel Karam, Sihame Haddad
Duração: 95 min.
Estréia: 05/06/2009
Ano: 2007


Horroroso pastiche de caricaturas fúteis


Autor: Fernando Oriente

Ao final de “Caramelo”, vemos a frase “À minha Beirute” escrita na tela. Se os espectadores da cidade libanesa tiverem o mínimo senso crítico, vão sentir-se ofendidos por tal dedicatória. A visão de Beirute da diretora Nadine Labaki (por meio desse longa nela ambientado) é uma ofensa à seus cidadão e, principalmente, cidadãs. Como mulher, Nadine deveria envergonhar-se por compor suas personagens de forma tão caricata e, por muitas vezes, machista. É impressionante como em um mesmo filme possa haver tantos clichês, tipos extremamente superficiais, futilidades a rodo e pieguice em cada plano. “Caramelo” é um verdadeiro pastiche do pior tipo de sentimentalismo barato e vulgarização das emoções que o mau cinema á capaz de produzir.

As personagens principais são compostas em cima de clichês baratos. Temos a mulher de 30 e poucos anos, bonita e solitária que, ainda presa à casa dos pais, se envolve com o homem mais velho (logicamente casado) que lhe promete, sem nunca cumprir, separar-se da esposa para viverem felizes para sempre. A coroa que sente o peso da idade na cara e no corpo e luta para manter-se aparentemente jovem para vencer na vida, em meio a garotas novas de beleza fresca. Temos também a jovem noiva de um típico machista, que se desespera por não ser mais virgem com a data da cerimônia cada vez mais próxima. Para completar o time, existe a jovem lésbica (reprimida em sua sexualidade) que se encanta com uma cliente do salão de beleza onde trabalha. É importante descrever cada uma dessas personagens para que o leitor desse texto já possa fazer uma idéia do tamanho do imbróglio de lugares comuns composto pela diretora.

O que une essas personagens é o salão de beleza, onde três delas trabalham e a outra é fraqueza assídua. O longa acompanha suas protagonistas em grupo e também em momentos isolados. Toda vez que a falta de conteúdo e a carência de sentido das situações fica evidente, Nadine apela para a montagem paralela, sempre embalada por músicas piegas. Os tipos que cercam o quarteto central também são compostos por obviedades. Temos o policial bondoso que ama em silêncio a mulher rejeitada pelo amante, duas velhas (uma solitária e outra senil) que moram vizinhas ao salão e um idoso que “encanta-se” pela velhinha solitária. As situações que esses tipos oferecem, ao interagirem com as personagens principais, beiram o ridículo, devido à vulgaridade caricatural das cenas e a futilidade com que as emoções são retratadas no filme.

Todos os planos são compostos por Nadine Labaki com a intenção de serem bonitos. A diretora busca a beleza plástica por meio do uso de filtros e da constante preocupação com os efeitos de luminosidade. O resultado desse processo é um aspecto terrível de comercial de produtos de beleza, que faz com que o espectador sinta-se diante de uma propaganda de uma hora e meia da Avon. Um bom exemplo disso é a sequência em que a jovem lésbica lava os cabelos da cliente pela qual se encanta. Essa cena deixa nítido que não há limites para a cafonice de Nadine, que se esforça inutilmente, dentro de suas limitações, para fazer o espectador rir e chorar, se emocionar e se identificar com o que vê na tela.

Para fechar a sofrível experiência que é ver “Caramelo”, Nadine nos reserva uma passagem grotesca. Durante a cafonérrima sequência do casamento de uma das protagonistas, exatamente na hora da noiva atirar o buquê, um pássaro defeca em uma das personagens centrais (!!!) e todos riem e mostram-se felizes com o ocorrido. Bem, se a metáfora que a diretora quis usar é a de que merda é sinal de sorte, qualquer um que assistir à “Caramelo” do começo ao fim terá boa fortuna por anos a fio.

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