UM ATO DE LIBERDADE:


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Original: Defiance
País: EUA
Direção: Edward Zwick
Elenco: Daniel Craig, Liev Schreiber, Jamie Bell, Alexa Davalos
Duração: 137 min.
Estréia: 08/05/2009
Ano: 2009


“Um Ato de Liberdade” - filme padrão


Autor: Cid Nader

Edward Zwick parece ser daqueles diretores que sabe omo transitar pelo cinemão sem ferir sentimentos de forma mais grave. Realizador de obras como “O Último Samurai” (2003), ou “Diamante de Sangue” (2006) – o primeiro estrelado por Tom Cruise, e o segundo opor Leonardo DiCapprio – dá a perceber que sabe como trabalhar com figurões do enternaiment e com produções de alto investimento, sem deixar de agradar os pares que apostaram na associação e, mesmo assim, realizando obras que conseguem falar tanto com o imenso público alvo desejado, como arriscar diálogos razoáveis com público e cinefilia um tanto mais exigente.

Na realidade, Zwick, quando amparado por algo do poder da “máquina”, consegue concretizar trabalhos que remetem ao que se instaurava como início do cinema de grande alcance: por produções caprichadas, de forte apego a um “classicismo” cinematográfico, que agradavam e começavam a construir um público mais fiel e assíduo, mas que ainda não se via engessado por ditames de cartilhas com leis a serem seguidas fielmente. Lá atrás, quando se descobriu a capacidade de retorno financeiro forte do cinema, as obras tinham uma certa potência e razoável apego à boa confecção – não dá simplesmente para se jogar no lixo diversas obras que surgiram amparadas pelos que ambicionavam o lucro, mas que resultaram filmes sensíveis, realmente bons e que se tornaram marcam indelével na memória cinematográfica.

O diretor conseguiu um pouco dessa magia nos filmes citados e nesse Um Ato de Liberdade. Voltou a se unir a uma estrela do momento – Daniel Craig (o atual James Bond, aqui no papel de Tuvia Bielski) – e retomou o aparentemente já desgastado tema que é o holocausto dos judeus na Segunda Grande Guerra. Nada mais máquina do cinema, não? Se nos ativermos ao assunto mote, sem pensarmos que há ainda coisas que possam surpreender (e, no caso, a história dos irmãos Bielski e seus refugiados judeus numa floresta da Bielo-Rússia é realmente surpreendente e emocionante, quase novidadeira para a maioria das pessoas) e à escolha do ator fetiche masculino de plantão (que realmente não é lá muito bom no assunto “atuar”) já dá para iniciar a visita ao filme com um pé atrás.

Se pararmos de compreender o filme para ficarmos enraivecidos com a música chorosa e étnica (bonita, sim) que se repete e repete tentando arrancar emoção aos apertões, se quisermos questionar a razão de empregar sotaque a um filme que é falado em inglês (ato comum às grandes produções, portanto assuma-se o risco), e se fixarmos a vista em algumas composições de personagens (um dos partizans – que vive assobiando -, ou algumas das mulheres no acampamento), Um Ato de Liberdade se verá em condição complicada. Mas parece que o diretor tem um dom em suas entranhas que consegue fazer com que esses seus trabalhos “maiores” não sucumbam ao empobrecimento do que ditariam cartilhas como regras de fazer certo o retorno financeiro ante o aplicado. O filme é cuidadoso ao relatar uma história “perdida” dentro do período mais dissecado da história humana: a revelação dos fatos é feita de modo calmo (em meio à violência de mortes). O fato de centrar o foco principalmente nos irmãos, Tuvia e Zus Bielski (Liev Schreiber), remete a uma lógica quase inocente desse cinemão de grande alcance, conferindo proximidade e empatia com a platéia (Edward Zwck já havia conseguido isso com Cruise e DiCaprio).

Assumidamente um filme para grandes públicos, esse, acaba ultrapassando barreiras. Se entrega claramente e de moldo fácil (sem inventar supostos engendramentos que terão de ser mastigados pelo diretor). É direto e “honesto” dentro da proposta jamais escamoteada. Longe de ser obra indispensável, acaba por cumprir – e de modo competente – uma função que num certo momento se descobriu ser possível para o cinema: a do entretenimento ao modo da literatura (mesmo que o assunto tratado seja duro e direto demais para nosso alienamento).

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