A ILHA DA MORTE:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: Brasil/Cuba/Espanha
Direção: Wolney Oliveira
Elenco: Caleb Casas, Isabel Santos, Alberto Pujol
Duração: 88 min.
Estréia: 08/05/2009
Ano: 2006


Melodrama caseiro em "A Ilha da Morte"


Autor: Laura Cànepa

A co-produção Brasil-Cuba-Espanha "A Ilha da Morte", que entra em cartaz esta semana em São Paulo, traz a estréia do documentarista cearense Wolney Oliveira (de "Milagre em Juazeiro", 1999) no cinema de ficção. O longa-metragem surgiu a partir do documentário "O Invasor Marciano", realizado por Wolney em 1998, na Escuela Internacional de Cine y Televisión de Cuba, que tratava da trajetória real de dois cineastas cubanos que fizeram filmes amadores no final dos anos 1950, na cidade de San Antonio de los Baños, pouco antes do final da revolução.

Em "A Ilha da Morte", Wolney condensou os cineastas na figura fictícia do jovem Rodolfo Salas (interpretado por Caleb Rosas), e criou a cidade de San Antonio de las Rocas para abrigar as aventuras políticas e cinematográficas do protagonista em meio ao autoritarismo da ditadura de Batista, à fuga de sua família de Havana em função das posições políticas de seu pai e à tentativa de realização de um filme de ficção-científica inspirado na "Ilha do Dr. Moreau", chamado "A Ilha da Morte" e estrelado pelos moradores da cidade.

A história parte de um argumento interessante, que é o processo de realização de filmes amadores feitos com muita intuição e nenhum conhecimento técnico, o que permite a revelação de imagens encantadoras exatamente pelo potencial expressivo que trazem em seu deajeito. Esse argumento, aliás, tem estado em voga em filmes recentes, como "Saneamento Básico", de Jorge Furtado, 2007, e "Rebobine por favor", de Michel Gondry, que mostram o interesse contemporâneo por esses filmes "primitivos", hoje em vias de extinção por causa da facilidade com que se tem acesso aos meios digitais.

Mas, ainda que o longa de Wolney exale romantismo e cinefilia (talvez até mais do que os filmes de Gondry e Furtado, que trazem registros mais irônicos), "A Ilha da Morte" não consegue disfarçar a ingenuidade da estréia "metalingüística" de seu diretor no cinema de ficção. Ao contar sua história por demais previsível e linear, ele acaba revelando, não raro, um amadorismo semelhante ao de seus personagens.

Afinal, enquanto acompanhamos as aventuras de Rodolfo aprendendo a dirigir um filme a partir de um antigo manual de cinema, também percebemos o academicismo do próprio Oliveira, que decupa seu filme da maneira mais esquemática possível, como se também consultasse um manual.

Além disso, a opção pelo registro melodramático traz um desfile dos piores clichês desse gênero, fazendo com que o espectador possa prever os desfechos das situações tão antes do protagonista que este acaba se transformando num tolo diante dos acontecimentos. A trilha-sonora também evita riscos a todo custo, entrando espalhafatosamente em todos os momentos dramáticos, talvez para tentar dar aos atores alguma expressividade que ultrapasse o estilo "novela das seis" adotado em toda a produção.

Com isso, perde-se a oportunidade de trazer para a ficção histórias incríveis de cineastas que se aventuraram a apropriar-se dos padrões hollywoodianos à sua maneira e que deram mostras de um tipo de "espectatorialidade produtiva" que foi fundamental para a construção do cinema periférico desde que Hollywood tomou conta do cinema mundial. Pena que, em pleno ano 2009, isso se repita de maneira tão pouco inventiva em filmes como "A Ilha da Morte".

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