X-MEN ORIGENS: WOLVERINE:


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Original: X-Men Origins: Wolverine
País: EUA
Direção: Gavin Hood
Elenco: Hugh Jackman, Liev Schreiber, Danny Huston.
Duração: 111 min.
Estréia: 30/04/2009
Ano: 2009


Nada mais do que era de se esperar


Autor: Cid Nader

Saber que quando X-Men Origens: Wolverine foi oferecido para Brian Singeer (entre alguns outros) antes de ser aceito por quem topou fazê-lo, Gavin Hood, a mim, particularmente, causou sensação de perda de grande chance de mais um filme da “série X-Men” resultar uma obra respeitável e “adulta”. Creio que Singer tem sido (não o único) o diretor que melhor compreende razões e genes de “história em quadrinhos” na hora de transpô-las para a linguagem do cinema. A dupla dos dois primeiros filmes desta espécie de “série” e o resultado do último “Super-Homem” são prova contundente, diria, de que ele sabe como poucos realizar filmes que transitem perfeitamente dentro do que se exige nos tempos atuais no quesito técnica computadorizada, sem abandonar jamais – inclusive com a atenção e detalhamento, compreensão, intuição, raros – os fatores humanos intrínsecos que “fizeram” tais modelos de personagens saírem da condição humana simples, transitando por caminhos de teor bastante mais complexos do que as “aparências espalhafatosas” entregam a quem não queira pensar um pouco mais.
,br /> A dúvida recaia sobre a “sinceridade” ou integridade de uma obra oferecida. Seria ela algo de puro apelo financeiro/oportunista? Seria tão ruim que a simples “olhada” num roteiro, ou projeto, inicial já forma suficientes para um não?

Outra coisa inquietante foi saber, que no final, quem aceitou fazer o filme acabou sendo Hood, um diretor de pouca expressão e, um pouco pior, com um dos filmes que mais me incomodam – justamente pela artificialidade exagerada, dentro de um tema que mereceria respeito (a pobreza em subúrbios ricos – raridade – da África) – nos últimos tempos: “Infância Roubada”, de 2005). Bem, sem mais nada a fazer, conferir esse Wolverine de Gavin Hood: nada de novo ao que pressupunha anteriormente, ao que imaginava resultaria da empreitada. O filme é artificial ao extremo – fato até a ser considerado quando se trata de filmes de personagens dos quadrinhos, transpostos par a tela, pela maioria dos diretores. A idéia do diretor ao tentar compreender como se comunicar com o público alvo foi a de preencher a tela com ação e barulho. Foi imaginar estar inventando efeitos especiais que já tinham sido inventados anos atrás pelo cinema. Foi executar cenas de ação ou de “drama”, sob a ludibriação do slow-motion. Foi utilizar luz excessiva, com a intenção de evidenciar as “carapuças”, unhas e garras.

Sem nenhuma novidade ou intuição a mais do que “o comum”, fez com que o ator Hugh Jackman quase abandonasse outras facetas interessantes do personagem – afinal de contas, um mutante, que visto sob lupa atenta representa o “diferente”, o “outro”, o que não compactua (mesmo que involuntariamente) com o que os outros seres exercem: os “X”, justamente, da questão – para transformar-se num lutador. O filme é recheado de pancadaria – e aí fica evidente que a colaboração de outros abrutalhados que desfilam pela tela tem sua razão de ser na história -, mais do que em nenhum outro filme da “série”, e imagino mais do que é a idéia dos quadrinhos. E por quase o tempo todo o trabalho se encaminha assim. Artificialidade supérflua, luzes, slow...

Mas seria injusto de minha parte não citar virtudes que X-Men Origens: Wolverine têm: para minha surpresa. Os momentos iniciais, quando se conta a origem de tudo, lá no início do século XX, fim do século XIX, é de um cuidado cenográfico respeitável. A sequência disso, que leva os irmãos foragidos, já jovens, para duas guerras, tem granulação e opção de cor interessante, tanto quanto interessante foi a opção de alguns “breques” em cenas de ação e morte (ainda dentro das guerras). Já no final, o filme ganha sua melhor porção quando os outros mutantes passam a dividir a tela (a cena deles encontrados dentro de jaulas é bem boa): como se (e isso sem a amão consciente de Hood) fosse um alerta de muito da essência e das idéias originais são o que de fato mais deveriam ser explorados e readaptados. A enorme barriga central já denunciava um filme fraco, ensanduichado por dois pequenos trechos de qualidade.

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