EU TE AMO CARA:


Fonte: [+] [-]
Original: I Love You, Man
País: EUA
Direção: John Hamburg
Elenco: Lour Ferrigno, Paul Rudd, Jason Segel.
Duração: 105 min.
Estréia: 24/04/2009
Ano: 2009


“Eu Te Amo, Cara” - faz parte de um modelo


Autor: Cid Nader

Parceiro inconteste daquele modelo de comédia americana que não tem medo nenhum (discordo: mais à frente explicarei a razão) de ser politicamente incorreta, Eu Te Amo, Cara é perpetuador do estilo, com seus erros e acertos – talvez um pouco menos possante ou agressivo, se bem que isso não signifique demérito, normalmente: no caso desse aqui, sim. Pudera, estar correndo paralelamente a esse modelo de produção que parece estar querendo afrontar o moralismo incutido na mentalidade comum do cinemão do país é fato bastante óbvio, vendo por quem é dirigido o filme: John Hamburg e seu “filme modelo ícone” para o estilo, que é o “Quero Ficar com Polly” (2004).

Lembrar de “Quero Ficar com Polly” (ainda mais por ter como ator principal o mito maior desse estilo, Ben Stiller) já deverá remeter a quem ainda não viu este último trabalho para o que quero dizer quando falo de uma corrente de filmes que seguem um mesmo padrão de agressividade (absolutamente exercida através do humor non-sénse, quase sempre escatológico, bastante sexual, mas coadunado com um certo bom mocismo que, invariavelmente, leva seus finais à proximidade do que se executa de modo padrão nos filmes comuns dos EUA – que é o do desfecho com o acerto amoroso, com casamento, por vezes, com “adequação” ao padrão pátrio). Quando disse, lá em cima, que mais á frente explicaria o “não ter medo nenhum”, era por perceber, justamente, que apesar da “coragem” em tocar assuntos tabus na região, e muito com o o auxílio de imagens e falas “chulas” desses filmes, quase que em cem por cento das vezes os finais acabam brotando do inconsciente coletivo, do DNA acumulado, que não permitem jamais esquecer a constituição moral de uma pátria que faz da família (consequentemente pensa-se em casamento e acerto heterossexual).

Paul Rudd é figurinha carimbada nesses trabalhos. É curioso o fato de ele ter uma cara e um jeito arrumadinho demais para o que se imagina de atores em filmes de tal teor de transgressão – muito mais adequado para o filme está o perfil físico do grandalhão Rashida Jones, e o modo de vida que protagoniza. Muito mais adequado ainda para Eu Te Amo Cara é a figura de Lou Ferrigno (o antigo Hulk da série televisiva, nos momentos Hulk mesmo – fortão e tal) fazendo parte do cast – uma sacada do diretor, com jeito de homenagem e fã das antigas. O filme consegue arrancar algumas boas gargalhadas, com uma boa divisão entre humor físico (isto é, situações que se apresentam por gags e “tropeços” visuais) e o oriundo das falas sagazes. Não apresenta neuma pérola máxima – algo bastante presente nas produções de mais peso do gênero -, nada de inesquecível. Ressente-se de grandes picos – aqueles que podem arrancar lágrimas ou ânsia de vômitos -, mas também pode ganhar preferências por esta opção mais light.

] Mesmo assim aposta no humor homofóbico, no que coloca as mulheres como cúmplices nas coisas mais inacreditáveis, na alfinetada na velhice – este lado politicamente incorreto é algo a ser conservado e incentivado em tempos de normas e comportamentos muito “puros”. Mesmo assim, ao final, deriva da estrada tortuosa quando percebe o bom asfalto. Se tem gente que se emociona com as razões desse desvio (neste momento o filme ganha ar de seriedade e fala da solidão, da incapacidade de relacionamento – que, aliás, é o tema da história: o mote), fica a impressão de que nem tão corajosas ou ousadas são tais peças, pois sempre se rendem a algum tipo de apelo “mais comum”. Isto posto, desarmando-se o espírito crítico demais, até que é bacaninha: passa bem, não tem erros de enquadramento, não é ruim de música, é bem atuado. Vá lá!
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