O EQUILIBRISTA:


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Original: Man on Wire
País: Inglaterra/EUA
Direção: James Marsh
Elenco: Documentário
Duração: 94 min.
Estréia: 10/04/2009
Ano: 2008


Convencional demais


Autor: Cesar Zamberlan

Dizer que O Equilibrista, Man on Wire, não se equilibra enquanto filme ao retratar um artista transgressor da forma mais conservadora possível em termos narrativos é um jogo fácil com as palavras, mas é esse o principal problema do documentário. A ousadia do equilibrista Philippe Petit, personagem retratado pelo documentário, que se pôs a andar numa corda bamba em diversas paisagens urbanas pelo mundo, falta aos diretores James Marsh e Simon Chinn que construíram um filme careta ao extremo, no mais convencional estilo documentário BBC, Discovery.

Vencedor do Oscar de documentário deste ano, o filme, que será lançado em circuito comercial pela Califórnia Filmes, deve, contudo, agradar aqueles que curtem o formato mais jornalístico e menos cinematográfico de alguns filmes deste gênero. Quando ousa vôos um pouquinho mais arriscados e acompanha Petit e seus colaboradores em imagens de arquivo, o documentário ganha mais força. Quando procura reconstituir a mais arriscada expedição do grupo, a travessia numa corda bamba das torres do World Trade Center pré-Osama, o filme assume um caráter de aventura policial que chega a incomodar. Nesse momento, por mais que naturalmente nos envolvamos com a arriscada empreitada, a fórmula fica muito manjada e cansativa.

Outro ponto contrário ao filme, ainda mais para aqueles que acompanham as trilhas sonoras feitas para cinema, é o uso de várias músicas do repertório do trilheiro Michael Nyman. O músico ficou notabilizado pelas trilhas para os filmes de Peter Greenway, o andamento das composições até tem uma crescente épica que se sustenta perante aquilo que o filme retrata, até fortalece a aventura perante a fraqueza narrativa do filme em alguns momentos, mas, noutros, na grande maioria do filme, fala mais que imagens que poderiam ganhar mais força com o silêncio, ou uma música menos impactante. O uso exagerado e a sensação de música requentada, para os que a conhecem, mais afastam o espectador do filme do que ajudam a compor uma obra. Tal defeito torna-se ainda mais evidente quando a dupla de diretores usa ao final da película a manjadíssima e belíssima peça Gymnopedie de Erik Satie. Chore, se emocione, grita a música, impondo uma emoção que o filme não consegue retratar.

E entre outras coisas que o filme também não consegue retratar ou, sendo mais justo, e parecendo menos ranzinza, retrata deixando uma sensação de que poderia se aprofundar mais estão os dilemas dos envolvidos na operação: dilemas éticos, legais e, sobretudo, o conflito entre os amigos que cuidam da parte estratégia e operacional e Petit, pois a amizade com o maluco equilibrista os coloca entre confiar na destreza do amigo e coloca freios neste para que ele não se mate. Dessa outra corda bamba, o filme se esquiva, ficando no “terreno fácil” dos atos épicos do equilibrista.

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