ALMA PERDIDA:


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Original: The Unborn
País: EUA
Direção: David S. Goyer
Elenco: Odette Yustman, Meagan Good, Cam Gigandet, Jane Alexander, Atticus Shaffer, Gary Oldman, Idris Elba, Carla Gugino
Duração: 87 min.
Estréia: 20/03/2009
Ano: 2008


Dá outro tipo de medo


Autor: Cid Nader

Em hebraico, a reencarnação é chamada de “Gingou Neshamot”, e um grande número de judeus ortodoxos sustenta que em certa circunstâncias, nunca definidas de maneira muito clara, a alma de um judeu pode retornar à vida no corpo de outra pessoa, ou até no de um animal, ou de uma planta. Não é necessariamente como castigo que o “gilgul” ocorre, mas com frequência, alguma boa ação que a alma foi incapaz de realizar enquanto estava na Terra, é completada na reencarnação dessa alma em outro corpo. Ligada a isto está a crença outrora comum de que “ruach” de uma pessoa morta pode, por motivo de vingança ou por outros motivos, apossare-se do corpo de uma pessoa viva. Um espírito maligno desse tipo é chamado de ”dibuk”, e deve ser exorcizado por um homem sábio. O judaismo de maneira alguma está livre de crenças e lendas recolhidas em suas peregrinações entre os povos do mundo.

Ruach é o espírito. A palavra, na realidade, significa vento ou lufada de ar, sendo usada exatamente como usamos a palavra espírito, em português. O Santo Espírito da Profecia, por exemplo, é chamado de Ruach Hadokesh. Como um dos componentes da alma, parece sobreviver à morte do corpo, mas é difícil determinar até que ponto e por quanto tempo. O espírito incorpóreo que se acredita possuir os atacados por um ”dibuk” é a ruach.
(FONTE: Ordem Religiosa dos Prosélitos do Rio de Janeiro)

Dibbuk ou Dibuk: demônio particularmente mau, que perseguia os acadêmicos e procurava descansar dentro de uma pessoa. Na Idade Média, uma das maiores superstições entre os judeus do leste europeu. (FONTE: nome de demônios, no blog flogão)

”O dibuk é o nome da alma errante de um morto. Em certas circunstâncias, o dibuk penetra no corpo de um vivo. O dibuk se manifesta no corpo escolhido com a voz do falecido. É um grave perigo para o hospedeiro e tem de ser expulso por meio de práticas exorcistas. (A Rosenfeld)

Partindo dessas informações esparsas colhidas aqui e ali, pensaria-se que um filme baseado no mito, na crença, na superstição encontrada na cabala sobre um demônio denominado “dibuk” - e em se pensando no excesso de atitudes anti-malefícios executadas por judeus ortodoxos no seu dia-a-dia, com a sincera e temente intenção de afastar demônios e azares de sua frente – poderia render boa coisa. Poderia render um filme mais afinado com detalhes bacanas. Mesmo sendo assumidamente um filme de terror, poderia – pela opção na escolha em tradição tão antiga, quanto potente – ser um trabalho diferenciado ao que se vê na atualidade dos filmes do gênero.

Pena. Alma Perdida, dirigido porcamente por David S. Goyer, acaba por ser somente um desses filmes de terror sanguinolento que se tem feito atualmente. Manjado ao extremo, bebe em fonte de água ruim. Saudades daqueles bons “terrores” que induziam, insinuavam; mesmo quando maltratavam o corpo faziam-no como opção de continuidade - não como elemento único de pavor -; que também se abasteciam das brechas religiosas para intimidar, mas faziam-nos sofrer lá na alma com isso. Este daí é o que se vê do mais comum e tosco – se é para apavora com “metodologia contemporânea”, que me tragam os filmes de terror extremo-orientais.

Nem valendo gastar muitas palavras para tentar entender razões, vou aos seus clichês: atriz que que deve ser potencial “sex simbol” lá nos States, Odette Yustman, aparecendoi de calcinhas, com ombros insinuantes de fora, caras e bocas, andar de sedutora; menino mau com olhos avermelhados; menino mau dando sustinho como representação do medo que brota de crianças atuando em filmes do gênero; grande amigam meio na boa, relax, que – sabe-se ou espera-se – será a primeira a morrer (foi por pouco); namorado que está ali para tudo (pau pra toda a obra sem perguntar nada, nem pensdandoi na possibilidade de se dar mal durante um exorcismo qualquer);nenhum preparo dramático no roteiro para que histórias engrenem (de repente ela pergunta se teria um irmão gêmeo e o pai, como se estivesse comendo um sanduíche às escondidas, responde na lata...); parente próxima descoberta num asilo que indicará os caminhos e descobrirá lá de dentro o que anda ocorrendo de mal com a garota; algumas pessoas morrendo, como moscas inúteis, para o bem da heroína; sequencia final que voltará a deixar o final (que se imaginava definido) em aberto. Não dá pra falar muito mais: não assusta, causa risos e tem Gary Oldman – competente como sempre – fazendo uma quase ponta de tremenda responsabilidade. Dá medo ver tal tipo de filme.

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