THE SPIRIT - O filme:


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Original: The Spirit
País: EUA
Direção: Frank Miller
Elenco: Gabriel Macht, Eva Mendes, Scarlett Johansson, Samuel L. Jackson
Duração: 103 min.
Estréia: 20/03/2009
Ano: 2008


Limitações e auto-ironia movem longa de Frank Miller


Autor: Fernando Oriente

Novamente estamos no mundo das HQs, fonte inesgotável de “inspiração” para Hollywood. Agora é a vez de “The Spirit”, que traz às telas de cinema um dos personagens em quadrinhos mais cultuados do século 20. A figura do justiceiro mascarado, egresso do mundo dos mortos para fazer justiça, é uma colagem de varias características e elementos de tipos comuns ao universo dos gibis. Essa fusão de referências, tanto visuais quanto de personalidade, fazem dele uma figura distinta dos heróis tradicionais, ao mesmo tempo em que ele pode ser visto como representante típico da noção estadunidense de defensor do “american way of life”. O filme, que chega aos cinemas mais de 60 anos depois das primeiras histórias do Spirit serem publicadas em tiras de jornal na época da 2ª Guerra Mundial, tem roteiro (baseado nas aventuras do personagem criadas por Will Eisener nos anos 70) e direção de Frank Miller (nome de destaque no mundo das HQs).

Miller já havia se aventurado no cinema dirigindo longas suspeitíssimos como a terceira aventura de Robocop e dividido os créditos de direção de “Sin City” (baseado em história em quadrinhos criadas por ele mesmo) com Robert Rodriguez. As principais características de Miller como diretor de cinema sempre foram a mão pesada e a incapacidade de dar um ritmo satisfatório a fluência dos longas que assina. Nesse novo trabalho, embora não tenha se livrado por completo dos vícios, Frank Miller mostra certa evolução.

Visualmente, “The Spirit” é muito semelhante à “Sin City”. Cenários criados a partir de computação gráfica, oposição forte entre preto e branco e cores berrantes e muitas sombras e penumbra. Esse visual retrô/noir faz do filme uma experiência formal interessante, mas que não se garante por si só, principalmente pela incapacidade de Miller em amarrar bem as situações que se acumulam cena após cena. Passagens interessantes, como nos primeiros momentos do longa, se perdem nas sequencias seguintes, em que diálogos mal encenados ampliam a carência dramática do filme. Ao dar atenção demais para as razões que movem os tipos, Miller se desvia do que “The Spirit” tem de mais interessante: o humor e a sátira ao universo que recria. O aspecto fake das emoções dos personagens e de suas próprias ações não convive bem com discursos sentimentais e com as justificativas emocionais de histórias mal resolvidas do passado.

O lado mais atraente do longa é a auto-ironia, a capacidade de rir de si mesmo e do universo dos super-heróis e vilões. Recriar com humor e cinismo situações comuns e clichês também é uma aposta feliz do filme, que tem no fato de não se levar à serio um de seus maiores méritos. Os tipos são burros, não conseguem pensar além das limitações de suas ambições estapafúrdias (vilões) e de seu senso de justiça limitado (heróis). É um humor quase non-sense que domina às cenas, o que fica nítido na canastrice do Spirit .

Alguns coadjuvantes roubam a cena, caso de Silken Floss (a assistente do inimigo de Spirit, Octopus), vivida por Scarlett Johansson. A beleza das atrizes merece destaque especial. Além de Scarlett Johansson e Paz Veja (que vive a assassina Plaster de Paris), Eva Mendes é um ótimo motivo para qualquer espectador do sexo masculino ficar grudado na cadeira do cinema. E como não podia deixar de ser, as imagens do longa capricham ao realçar o charme e as curvas dessas personagens. Mas tudo isso ficaria melhor nas mãos de um diretor mais talentoso, já que ao que parece, Frank Miller acredita que a opulência visual e o carisma dos personagens são suficientes para compensar a carência de unidade entre as sequencias e falta de ritmo do filme.

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