JOGO ENTRE LADRÕES:


Fonte: [+] [-]
Original: Thick as Thieves
País: EUA
Direção: Mimi Leder
Elenco: Morgan Freeman, Antonio Banderas, Radha Mitchell
Duração: 104 min.
Estréia: 13/03/2009
Ano: 2008


Roubada


Autor: Cid Nader

Bem, tentei ligar a carreira de Mimi Leder a algum tipo de associação com constância na carreira, repetição de métodos, algo de autoralidade, e o que percebi, revendo sua filmografia, é que ela é uma diretora que trabalha muito com televisão e já há quase dez anos não realizava um filme para o cinema. Como nem sempre creio que ligações possam ser feitas entre uma obra e outra do mesmo diretor (e como tenho tido reações estranhas por conta de o excesso de referências que parte da crítica tem insistido em procurar e associar a filmes, cenas e diretores, como método de construção crítica) vou pensar em Jogo Entre Ladrões como um produto específico, visto como se nada tivesse conhecido da diretora anteriormente.

Até porque, a constatação que posso exteriorizar sobre o filme não é das mais aprazíveis ou esperançosas. Se fosse para referenciar o trabalho, ou algo dele, ao que a diretora consegue demonstrar em sua carreira, diria que o filme é de uma simplicidade/mediocridade “cartilhesca” assombrante. Jogo Entre Ladrões foi feito com todos os clichês possíveis dos filmes do gênero: filme que fala de ladrões inteligentes (Morgan Freeman, como um deles, novamente, fazendo perceber que anda bem ruim na escolha de papéis), que assaltam somente lugares cercados das mais abundantes e assustadoras maneiras de defesa aos produtos desejados, com um dos elementos perfazendo o tipo do amante arrebatador – no caso, um Antonio Banderas cada vez mais caricato e envelhecido para tal tipo de apelo -, com polícia de um lado e outro tipo de polícia do outro, uma mafiazinha básica, e uma trama que, ao final, fará o espectador atônito perceber que nem tudo era verdade, que havia outras questões, outros ladrões outros mocinhos...).

Se o que poderia se pensar como clichê no estilo empresta, na cabeça de quem me lê, a imagem de um cofre protegido por aqueles “feixes de luz infravermelhos” bailando invisivelmente como escudo de proteção: bingo. Se esse mesmo que me lê – ou outro, vá lá – pensa em Banderas (no papel de Jack Monahan) entrando em cena, nos momentos de sedutor, com música espanhola tocando freneticamente ao fundo como melodia para um sujeito caliente e irresistível: bingo novamente. Se Morgan Freeman (Ripley) tem que ser um sujeito posudo e com caras e trejeitos de superioridade e dono da verdade: parabéns, esse(s) que me lê(em) está(ão) quase dispensado(s) de gastar seu rico dinheirinho com um filme de trama e arquétipos dispensáveis e facilmente manjados.

Mimi Leder fez um filme vagabundo – poderia dizer -, com algumas tentativas de enganação na trama que toma um rumo diferenciado nos momentos de elucidação, mas que não são o suficiente para fazer crer que tudo até então tenha sido pensado (ou idealizado) com carinho inovador ou ousado. Colocar uma parte da polícia constituída por elementos tão honestíssimos quanto estúpidos, imaginar uma facção de máfia russa como se fosse um “pesamento” espetacular de inventividade como substituição à já “antiquada e careta máfia italiana”, ou criar uma trama bastante similar em seu modo literário ao que costuma servir de exemplo do gênero, não me parecem suficiente nem para “capturar” algum tipo de público menos exigente (aqueles que vão ao cinema pelo carisma dos atores ou por serem aficionados por um gênero), nem para ganhar seu quinhão de espectadores via propaganda boca-a-boca. Não mexe com a adrenalina, não faz ficar mais inteligente, tem duas sequências eróticas das mais chinfrins. Nada, enfim.
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